Deglutiu

“-Você não pode ficar vindo aqui, não estamos mais juntos!”. 
Disse ela num tom agridoce lembrando do que aconteceu na última 
vez que ele apareceu repentinamente em seu portão.

Ele pensou: “Mas quanto mais silêncio, mais nos afastamos”. “- Bah, fiquei preocupado com você, tu desmaiou ontem”. Disse num tom preocupado.

“-Ficou nada, isso é só mais um pretexto pra você vir me ver!.
Você precisa sair, se divertir, conhecer pessoas e lugares 
novos, você não pode ficar vivendo no passado, assim como eu não 
posso. Você precisa de algo pra se ocupar!.”

“Mas já estou muito ocupado sendo seu, para ser ser de outra 
pessoa”, pensou.

Aquela música de fundo que falava sobre rimas, métricas, lógicas 
e tônicas só pioravam as coisas, o fazia lembrar do porquê 
estavam naquela situação e que se talvez eles sentassem e 
conversassem há algum tempo atrás sobre o que lhes incomodavam 
tanto, bem antes de virar uma bola de neve, talvez não estariam 
na situação que se encontravam no momento.

Quando juntou as palavras para dizer que agora ficou tudo tão 
claro, que os dias sem ela eram mais longos e frios, que ele 
lembrava da aposta de corrida no meio da cidade ou de quando ela 
o empurrava em cima das mangueiras no parque. Quando foi
perguntar em qual sonho seu sonho encontra o sonho dela, ela 
interrompeu:“-Não quero que você venha mais aqui, ta bom?.

Engoliu os pensamentos e seguiu em frente (ou pelo menos tentou).

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