sinto a morte sempre presente. 
não me refiro ao suicídio, no momento. 
com esse já tive meus dias de romance, 
hoje não mais. 
porém, a morte vive em mim. 
comensalista que é, ela não atrapalha. 
apenas se alimenta dos meus restos e impurezas. 
no entanto, sempre me lembra do meu estado 
passageiro por este mundo cão. 
diria até que influencia no meu modo de vida, 
pois ao estar ciente de sua presença, 
mesmo que silenciosa, 
tendo a viver de modo diferente. 
não há como me desviar dela, 
porque a morte é tão imperceptível 
que não consigo diferenciar um trejeto no qual a deixarei 
(ou ela estará) mais evidente. 
vivo em harmonia com ela. 
muitas vezes quando se aproxima, 
um sentimento de leveza me toma. 
como se atravessasse um portal 
que modifica minha percepção do todo. 
tudo fica mais intenso, mais sensível.

é fato, porém, que um dia ela ficará maior que eu
banindo minha existencia e meu significado.
mas até lá, seguimos, coexistindo.