Véspera de Ano Novo

O ano novo pra mim é sempre igual: chato.

Um monte de gente junta, fingindo que se gostam e fazendo promessas que eles sabem que não vão cumprir — tipo dizer que vai fazer dieta e comer um búfalo na hora do jantar.

Ainda tem aquela ideia ridícula das cores, que vermelho traz amor e verde traz dinheiro ou sorte — quando na verdade, as pessoas só vão saber que você está encalhado e pobre —, só sei que nunca me interessei muito nisso. Da vez que eu passei o ano novo com a família dele — que me odeia mas me comprimenta com beijinhos — eu fui com meu vestido maravilhoso e preto.

Preto.

Isso foi o suficiente pra velha não querer olhar na minha cara a noite inteira e esperava que continuasse assim por um bom tempo, mas ela tinha que fingir estar tudo bem perto do filho dela.

Mas esse ano foi diferente. Foi o melhor ano na minha opinião. O simples fato de estar longe daquela família nojenta do meu namorado já me fez querer soltar fogos de alegria, passar o ano novo em Búzios foi a melhor coisa que me aconteceu.

Por que? Por que eu fui para praia, pular umas ondas? Por que os fogos de lá são lindos?

Não.

Porque eu transei. E transei muito. Nosso quarto com a bela vista pro mar foi o habitat da nossa última/primeira transa do ano.

Fizemos de tudo para transa durar, com brinquedos e até uns truques de puxar a bola pra baixo para liberar o fluxo. O sexo que começou no dia 31 de dezembro só terminou no dia 01 de janeiro. A sensação de gozar com fogos é mais que sensacional, parece que eles celebram nosso ato de amor.

Esse ano eu acredito que vai ser melhor, não por causa da cor da minha calcinha — aliás eu passei a virada mais pelada que nunca —, mas se o ano já começou com um sexo selvagem, que assim seja no resto dos dias.