Deixa que seja

Nós, seres-humanos, nascemos para ser.

Precisamos permitir que a nossa essência reverbere com naturalidade, sem limites, sem barreiras, sem muros. Apenas sentir e ser. Simples assim, como uma flor que desabrocha e ganha vida, em contato direto com a sua raiz. Ser é olhar para dentro, é se conectar com seus valores, crenças, ideais. É permitir que cada molécula do seu corpo expresse o que você acredita, livre do medo do julgamento dos outros ou de nós sobre nos mesmos.

Durante nossas vidas, muitos fatores bloqueiam, inconscientemente, a nossa naturalidade. Nossos pais, nossa escola, o sistema, e acima de tudo, nós mesmos. Podemos dividir estes fatores em dois grandes grupos: interno e externo. Dentro e fora.

Qual a razão de bloquear algo que nasceu pra ser? Qual a intenção por trás de todos estes fatores que nos bloqueiam? É tudo tão mais lindo quando acontece naturalmente. Elementos impulsionadores carregam o poder da expansão, enquanto elementos bloqueadores carregam o poder da ancoragem. Enquanto um nos eleva, o outro nos retrai.

Creio, que a grande razão por trás de todo esse processo é o ego. O nosso próprio ego, e o ego dos nossos semelhantes. Acabamos criando questionamentos que interferem na nossa naturalidade. Não permitimos que nossa essência desabroche, em meio a tantos julgamentos. É uma oscilação constante entre experiências passadas e possibilidades absolutamente inexistentes. É como uma ilusão. Em vão. Porque?

Interiormente, seguimos ignorando quem realmente somos. Às vezes, ignoramos nossas habilidades, nossos dons, nossas vocações — presentes divinos. Insistimos em não olhar para dentro e por muitas vezes somos guiados pelo intelecto, de forma absolutamente racional, deixando de lado nosso presente mais precioso: nossa intuição, nosso “sentir”. Insistimos em buscar respostas no mundo inteiro e esquecemos que todas elas estão dentro do nosso mundo, do nosso coração, nossa bússola. Qual foi a última vez que você seguiu seu coração sem interferência racional?

Exteriormente, somos moldados a nos encaixarmos em padrões impostos, que não concordamos, mas que seguimos mesmo assim. “ Azul é de menino, rosa é de menina. ” “Você precisa ter um diploma, caso contrário não será ninguém na vida. ” Perdemos o hábito do questionamento interno. Não buscamos entender “porquê”. Apenas aceitamos. E seguimos o fluxo, às vezes até mesmo sem saber para onde estamos indo. Apenas esperamos que dê certo. Inconscientemente, muitas pessoas buscam imprimir em nós aquilo que elas são ou esperam que sejamos, deixando de viver a maravilhosa experiência de sentir o outro como ele é em sua forma mais pura e mais real. Julgamos o outro com base nas nossas experiências, sem saber o que formou o que está do outro lado. Esquecemos que cada um tem o direito ser quem é. Colocamos a culpa no outro e não olhamos no espelho. Vivemos querendo ver a mudança que ainda não encontramos dentro de nós mesmos. Até quando?

Estar consciente de quem somos e de qual a intenção das nossas ações é um presente divino pra nossa existência. Mas, pra isso, precisamos olhar pra dentro. E olhar pra dentro dói. Crescer dói. Mas, precisamos internalizar que a calmaria só vem depois da contração…

Me perdoa se não fez muito sentido até aqui e você dedicou seu tempo, seu bem mais precioso para essa leitura. Mas eu só fui. Senti e fui.

Nós, seres-humanos, nascemos para ser. Deixa ser. Deixa que seja como for, como flor, como é.