Estrangeiro

Relatos de um extra-terrestre

Em terra firme sou água derramada
Em mar não navego, flutuo de forma insolúvel
Sigo permeando
Os aromas que rodeiam
Os sons que ondulam
E ecoa em mim um…
estranhamento.

Não sou daqui.
Não me entenda mal
Gosto, acho graça e me encanto com frequência
Mas meu olhar vem de fora
Meu coração busca um entendimento mais sincero

Não me basta aceitar.
Me tornar parte de onde não pertenço
Encaixar a peça errada do quebra-cabeça
Que segue se quebrando

Mas é interessante.
Viajar nesse pedaço de terra
Mergulhar num oceano de galáxia tão longíqua
Conhecer as peripécias de um mundo estranho
Sorrir e ver sorrisos
Só risos
Esses agradam meu capacitador sonoro
Aqui chamamos de orelha, né?

Flutuei pelo mármore do caminho
Alcancei o mirante da dúvida
Nele me encontro
com a perdição.
E habito
em confronto à ilusão.

Só um garotinho perdido entre prédios
Olhando pro alto
Enxergando o auto
Um grito sem cura pra remédios
Jogou pra fora o tropeço
Que quando na frente,
possibilita o recomeço.

Mas cansei.
Cansei de cuspir esses grãos
Palavras traduzindo o indizível
Suposta reflexão da visão
Mas não tão direta quanto devia ser
Talvez um falso momento de lucidez
Por hora é o que me basta
Para desabafar, foi o que me satisfez
Mera extensão do que sou,
incompleta mas plena
E vejo que o que me restou
É voltar à exploração terrena

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