Vento

Vem tu, manada aérea
Soprando em toda matéria
Corre, voa e cavalga
Num instante és palmeira
N’outro leve como alga

Vem trazendo, vem crescendo
Forte poeira preenchendo
Arde, acalma e acrescenta
Movimento que transforma
No vazio, só aumenta

Traz em si grande bagagem
Flutua feito carruagem
Nas folhagens, busca e leva
Fragmentos de um só sopro
Tempo que a alma eleva

Bate, não importa onde
Pergunta e também responde
Quem — e como — tudo levou?
Pois então…
Ventou!