Quem é você?

Se você perguntar para uma criança "Quem é você?", ela provavelmente responderá que não sabe. Ao contar para ela que é importante saber, ela vai te perguntar "Por quê?".

Para uma criança, a auto-afirmação não é algo claro, nem parece necessário. As respostas possíveis perpassam aquilo que elas aparentam ou valores que lhes foram ensinados. "Eu sou uma menina", "Eu sou negro" ou "Eu sou forte", "Eu sou bom". Mas, ainda assim, a criança estaria somente repetindo algo que outro a contou que ela era. Elas não estão realmente interessadas no que elas são, nem lhes é natural compreender esse significado.

Mesmo adultos — normalmente, após uma fase adolescente de radical auto-afirmação — continuamos nos fazendo essa pergunta, cada vez mais preocupados de não sermos capazes de encontrar uma resposta.

É quando viramos uma atividade. "Eu sou estudante", "Eu sou bailarina", "Eu sou gerente de tal empresa". Sempre nos definindo pelo que nos identifica — ou nos identificaram — externamente. Até o momento que você descobre que, quem você é, está dentro, não fora.

Você está agora em queda livre nessa montanha-russa que é o auto-conhecimento. E começa a se perguntar em que momento achou que essa seria uma ótima ideia.

Você volta pro início e percebe que essa pergunta nem mesmo faz sentido. Será apenas mais um enaltecimento do ego? Será que é realmente algo imprescindível para existir, no mundo e na sociedade? Será que eu quero saber quem eu sou, afinal?

Agora estamos tão confusos quanto uma criança que se vê obrigada a se definir e se colocar dentro de mais uma caixinha. E se eu não quiser ser nada disso? Se eu quiser ser tudo que eu quero ser? Se eu for uma coisa diferente a cada dia? As dúvidas aumentam, e as certezas deixam de existir.

Ao nos definirmos, nos limitamos. Criamos separação. Nos afastamos do princípio de Unidade, que é nosso propósito como seres humanos. Estabelecer conexões, relembrar o estado primordial. Quando incorporamos uma identidade nos distanciamos do que verdadeiramente somos e vestimos mais uma máscara para sermos vistos.

Já é tempo de conhecermos nossa essência.

Quem sou eu? Eu não existe.

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