“Ainda há quem pergunte “Por que um dia para a visibilidade trans?”

Por Renato Santos*

90% das mulheres trans e travestis na prostituição; expectativa de vida em 35 anos de idade; 56 pessoas trans e travestis mortas em 28 dias.

Ainda há quem pergunte “Por que um dia para a visibilidade trans?”

Sem -embora hajam leis que garantam- ter acesso ao nome social, ao (BÁSICO) uso do banheiro e o respeito à identidade de gênero no âmbito escolar, pessoas trans e travestis são expulsos/as já no ensino básico, o que as separa ainda mais fortemente do ensino superior e, consequentemente, do mercado de trabalho formal. Resta apenas o único serviço que é -socialmente- designado para pessoas trans: a prostituição.

Jogados/as na marginalidade, onde o Estado só existe com sua força de repressão (a polícia militar), sem escola, sem emprego, sem saúde, sem segurança, sem direito a ter direito, o que acaba por acontecer é o assassinato — tanto físico quanto simbólico — da população T.

O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais, carregando, de acordo com o Trans Murder Monitoring 2015, 51% de todas as mortes que ocorrem no mundo. Em segundo lugar fica o México, com menos de 1/3 do índice brasileiro (14%). Somente em 2016, que vai em seu 29º dia, foram quase 60 mortes registradas — sem contar com as que não viraram dados.

O dia da visibilidade trans é, portanto, um dia específico no ano para que a realidade que envolve a vivência de ser uma pessoa T seja pautado pelo movimento LGBT, que historicamente nega essas demandas, e pelo movimento Transfeminista. Não é um dia de comemoração, é um dia de luta! Dia de diálogo com a sociedade sobre o que é ser binária, não binária, travesti, transgênero: GENTE!

*Renato Santos, pessoa trans não binário, estudante de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFRN, Militante da Kizomba Arco íris no RN.