Uma carta para eu ler daqui um ano

Dado todos os problemas que eu ando enfrentando, financeiros, acadêmicos e a vida pessoal e romântica que me dá vários socos e pontapés, eu sinto pouca vontade de sair da cama todo dia. Se sentir sempre um lixo e não saber como expressar isso é difícil.

As pessoas têm de mim uma imagem positiva, alegre e espontânea. Eu sou assim quando estou com as pessoas que eu amo e esse é quem eu deveria ser. Mas nem sempre é de verdade. Desculpem-me por fingir, mas ando profundamente triste. Tem gente pior? Tem. Mas isso é sobre como eu me sinto. Me sinto vazio, mas cheio de tristeza. Uma hora estou gargalhando, outra, chorando. Ando buscando algo que falta, mas ainda não sei o que é. Não sei lidar com meus problemas, não sei pra que direção correr, então eu apenas desabafo. O peso emocional e o estresse já se tornaram dores físicas. A vida não parece mais tão colorida, ainda que eu tenha pessoas que façam do meu dia arco-íris, a maior parte dele é triste e preto e branco. Penso mais do que uma vez na semana em como eu poderia acabar com minha vida, mas não tenho coragem. Às vezes nem sei por que me sinto triste, mas isso enche minha alma de uma forma que transborda. Não sei lidar com as coisas mais bobas do cotidiano e choro. Nunca fui de derrubar lágrimas a toa. Apesar de saber que tem pessoas que me amam muito e me querem bem, pra mim não parece fazer diferença. Eu grito e olho além procurando algo como se fosse uma luz, mas não há nada. Me sinto sufocado. Acordo sem conseguir me mecher, paralisia do sono. A sensação do sufoco é inesquecível e consigo lembrar da sensação a todo momento. Tenho medo de dormir. Tenho medo dos homens, eles podem me machucar. Tenho medo de dizer que gosto de alguém e minha vida acabar virando um inferno completo. Não quero mais estudar, mas vou pra não desapontar ninguém por abandonar algo que tanto sonhei. Não quero jogar minha vida fora, mas aos poucos sinto que entro em um lixo enorme e fedido, do qual nunca mais vou conseguir me desinfetar. Sei dos arco íris que tenho em minha vida, mas parece que toda vez eles são engolidos por uma escuridão absurda. Meu rosto antes feliz já não expressa a satisfação em estar aqui. Beber é bom, bebendo me sinto um pouco alegre, é um momento feliz em que compartilho conversa boba e esqueço quem eu sou e o que vive me afetando. A gente dá nomes ruins a coisas bonitas e isso machuca. Eu só não quero mais sentir dor.

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