Motivos pelos quais eu não acredito na candidatura de Haddad

C. K. Müller
Sep 6, 2018 · 2 min read

Tenho discutido isso incessantemente com vários amigos e achei prático elencar de uma vez por todas as minhas motivações. Que, aliás, acredito que não sejam só minhas.

1. O lulismo e o petismo são coisas diferentes.

2. Quando o Lula quis botar um candidato poste — considerando a Dilma pela sua trajetória não-eleitoral — essa construção foi feita por meses, o Lula tinha uma aprovação histórica e o país estava indo de vento em popa. Agora, o Lula tá preso, a Dilma sofreu impeachment e a economia foi pro brejo.

3. O clima de anti-petismo já não é o mesmo de 2 anos atrás, quando o Haddad perdeu em SP — acho até injusto como usam isso contra ele gratuitamente, mas ainda é muito forte. Mesmo que o Bolsonaro tenha mais rejeição, acho muito difícil a possibilidade de eleição de qualquer candidato relacionado a sigla.

4. As decisões do STF/TSE são repetitivas e redundantes: a posição do sistema de justiça está alinhado com interesses excusos e com o frenesi midiático.

5. O PT podia ter construído o Haddad como candidato, mas ontem, assisti um programa do PT pela primeira vez e era basicamente “somos perseguidos”. Não estou negando isso, só acho que isso é insuficiente para uma candidatura. “Vamos trazer de volta 2007” e afins, isso não tem como.

6. O Haddad não tem a projeção nacional de seus principais adversários, mesmo tendo sido prefeito da maior cidade do país. O que saiu disso, em termos de figura pública, ainda é muitas vezes criticado.

7. Muito se fala na Kátia Abreu, mas a Manuela D’Avila como vice me preocupa mais. Pela realidade brasileira, usualmente, o vice não é necessariamente uma réplica do candidato, mas uma alternativa viável dentro daquelas impostas pelos setores produtivos. O agronegócio é plataforma para aberrações políticas, é verdade. Mas é um setor grande, importante e decisivo. Se precisamos de uma ponte, que seja uma mulher, politicamente fiel a seus aliados e que se posicionou contra o golpe. A Manuela, não vejo como agrega na governabilidade além dos seus momentos “lacração”.

8. Me permitam um argumento instintivo — ou irracional, se quiserem — o cara é muito engomadinho pra ser líder popular. Posso estar enganada, mas como pouco vemos e pouco conhecemos, isso é o que a superficialidade oferece.

9. Por fim, não há indicativos de mudança de posicionamento — mesmo que tardia — da parte do PT.

C. K. Müller

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