A medida do amor

Ele me entediava fora da cama com suas indagações sobre o mercado de capitais e suas estantes vazias. Quem, afinal, vive só de direito?

Apesar disso, sempre vinha da Rua do mercado até a Cinelândia para tomarmos um café no Starbucks. Trazia beijinhos, aqueles de coco, que dizia saber fazer. Eram bons, mas tinham coco demais.

Mas, se tinha uma coisa que tínhamos em comum era o apreço pelo café, pensei.

Entre nossos baldes de café, conversamos avidamente sobre minha viagem pro Chile e meu amor que estava do outro lado do mundo, no mar do norte.

Falamos também sobre como não tínhamos nada a ver além da cama. Então, ele começa a falar do seu novo romance. Tão clichê, mas daqueles fofos que só os apaixonados não percebem e negam, que eu quase podia escrever um final feliz.

O café já tinha acabado e eu me preparava para ir embora, mas ele, então, pergunta quase que num sorriso — Quem ama mais? Você ou ele?

Era a segunda vez que me perguntavam isso.

Na primeira vez, numa conversa com o Eduardo, meu amigo restaurador prático poeta, ele falou que numa relação um sempre ama mais e o outro é sempre o mais feliz. Tal lição lhe foi imputada por Nelson Rodrigues que dizia que “não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo”.

Lembro-me que quando conversei com Eduardo, disse que era a primeira vez na vida que eu sentia que amava e era amada na mesma medida.

Abri um sorriso maroto para o advochatinho e disse —Num sei!Estou completamente apaixonada e ele também, a medida quem faz somos nós, juntos!