Da dualidade à trialidade

Grande parte dos problemas entre as pessoas surge do fato de vivenciarmos a realidade como dual. A visão dual da realidade se baseia na linearidade, em que uma das extremidades da linha é luz e a outra é escuridão. E tendemos a escolher uma delas, à exclusão da outra.

Quando deslocamos nossa consciência de um ponto a outro, seguindo pela linha, apenas podemos perceber um pequeno trecho desta linha e passamos a entender diferentes pontos desta linha como pontos excludentes. Disto resulta que, para eu ter razão a respeito de algo, meu oponente necessariamente tem que estar errado, pois se ele estiver certo, isto significa que eu estarei errado.

Se quisermos resolver a maior parte dos nossos problemas, precisamos desenvolver uma visão do mundo baseada na trialidade, ou seja, deslocar nossa percepção consciente para um ponto a partir do qual temos acesso simultâneo a ambos os pontos da linha. Então posso me conscientizar da relação entre eles e ter uma compreensão mais ampla de qualquer situação à mão, chegando a uma terceira perspectiva, que inclua a minha e a do outro.

Este ponto de percepção também é conhecido como Eu Superior. Localizando-se acima da linha e estando em conexão com ambas as extremidades, este ponto nos permite visualizarmos simultaneamente a extremidade da luz e da escuridão, bem como a conexão entre elas. Esta percepção nos revela que elas não são realidades opostas, mas apenas pontos diferentes de percepção, partes distintas de uma realidade maior.

Quando nos posicionamos no ponto mais elevado do triângulo, em vez de permanecermos em algum ponto da linha de base, desenvolvemos uma visão mais ampliada da realidade. Esta visão nos permite acolher perspectivas diferentes das nossas e encontrar soluções que honrem ambas. Ao fazermos isto, estaremos criando uma realidade mais harmoniosa, uma realidade em que há lugar para as diferenças individuais.

Ao acolhermos as diferenças individuais, em vez de nos antagonizarmos com elas, contribuímos para criar uma realidade mais complexa e rica, em que as características e habilidades pessoais de todos e cada um encontram seu lugar de expressão.

Você pode começar com sua realidade pessoal, conciliando suas diferenças internas e integrando-as em uma personalidade mais complexa e rica. Da próxima vez que você se perceber querendo ‘eliminar’ um aspecto de si mesmo, que você ‘julga’ indesejável, desloque sua consciência para o Eu Superior e veja qual a contribuição que este aspecto traz para sua vida como um todo. Honre esta contribuição e integre-a na percepção que você tem de si mesmo. Você não precisa expressá-la, mas talvez surja uma ocasião em que este aspecto fará a diferença na solução de um problema.

Lembre-se, não há nada no universo que não tenha alguma utilidade, em algum tempo, em algum lugar. Tudo depende do lugar e do tempo em que você se encontra. Se você aprender a se deslocar no tempo e no espaço, qualquer ponto do holograma estará acessível.

Monika von Koss