Viver a vida com fé e integridade

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Dar a nós mesmos o que necessitamos e aprender a viver vidas dirigidas por nós próprios requer fé. Precisamos de bastante fé para tocar nossas vidas, e precisamos fazer pelo menos alguma coisa pequenina a cada dia para começar a andar para a frente”, escreve Melody Beattie, em Co-Dependência Nunca Mais.

Fé, neste sentido, não está necessariamente relacionado a alguma religião, mas é o fogo divino que arde no centro de cada Ser. É a confiança básica na vida e na própria capacidade de realizar seu propósito. É a fé na própria existência e na capacidade de vivê-la de acordo com a verdade e integridade pessoal.

Realizar os nossos sonhos a partir dos nossos próprios recursos nem sempre é fácil e rápido. Quando queremos que tudo venha fácil para nós, estamos mais propensos a ceder partes de nossas almas e de nosso poder a alguém ou alguma situação, que nos prometa uma realização garantida sem muito empenho ou risco. Mas não nos damos conta que colocamos em risco nosso valor maior, que é nossa integridade.

Convencionalmente designamos de prostituição o ato de trocar o corpo por dinheiro, também considerada a mais antiga das profissões, exercida principalmente pelas mulheres. Mas se olharmos para o ‘ato de trocar o corpo por dinheiro’, podemos ampliar este conceito para incluir a grande quantidade de pessoas, de ambos os sexos, que trabalham em troca de pouca ou quase nenhuma remuneração digna. Pessoas que permanecem em uma relação abusiva, porque não se sentem capazes ou merecedoras de coisas melhores.

O arquétipo da prostituta está entre os quatro arquétipos da sobrevivência, descritos por Caroline Myss em Contratos Sagrados, junto com a criança ferida, a vítima e o sabotador.

Já escrevi sobre cada um destes em outros textos e a maioria das pessoas não tem dificuldade em identificá-los na sua vida ou na vida das pessoas de suas relações. Mas quando falamos do arquétipo da prostituta, imediatamente recuamos um pouco, porque costumamos associá-lo com sexo e moral. Em assim fazendo, deixamos de reconhecer os momentos em que negociamos nossa fé na vida.

Se olharmos com mais acuidade, certamente podemos reconhecer ocasiões em que nos dispusemos a abrir mão de nossas crenças, de sentimentos e valores que prezamos, de nossa verdade, para obter algum benefício que nos permitisse sobreviver a um momento difícil ou nos proporcionasse uma vantagem em relação às demais pessoas. Ou quando servimos a alguém que amamos e concordamos com algo, sem questionar se a situação honra a nossa integridade.

Quando perdemos a fé em nós e na vida, o arquétipo da prostituta surge para nos alertar e ajudar a encarar nossas partes que negociam nosso valor próprio. Lembra-nos de questionar se não estamos entregando nosso poder a alguém simplesmente para obter prazer e conforto imediato, mesmo que estes não contribuam para nosso verdadeiro bem-estar. Se não continuamos em um trabalho que nos deixa infeliz, em troca de algum benefício que não contribui para nossa felicidade. Se não estamos em um relacionamento insatisfatório apenas para não ficar sozinhas.

Os momentos que fazem surgir em nós o arquétipo da prostitua são aqueles que nos confrontam com nosso medo da sobrevivência. Mas estes momentos também são as oportunidades para aprendermos a dizer não, para sustentarmos nossa integridade diante das adversidades. Momentos em que podemos refinar e fortalecer a autoestima e o autorrespeito.

Quando estamos em uma crise de fé, de confiança na vida, precisamos auscultar com atenção os nossos pensamentos e nossos medos. Precisamos identificar e trazer à luz os aspectos ocultos, que nos tornam vulneráveis à sedução e ao controle.

Ao entrar em contato com nossos medos e identificar as crenças que os sustentam, crenças estas que nos levam a fazer concessões que não queremos fazer e que não nos beneficiam de verdade, somos instados a fazer escolhas alinhadas com nossos valores e nossa integridade.

Ao fazermos escolhas que honram nossa integridade, nos aproximamos mais de quem somos verdadeiramente. Expressamos em nossas vidas as qualidades e valores que constituem o alicerce do nosso Ser. E ao nos tornarmos senhoras e senhores do nosso destino e da nossa vida, apontamos o caminho para que nossos semelhantes também encontrem a própria integridade.

Monika von Koss