curvilíneo tempo

o pequeno ser
era a curva
nos lugares donde transitara.

prestes a pairar na descida
sobre dúbios e velhos pontos prévios
criatura que sou, achego-me enfim
morno de passagem
na superfície beirada da quietude que depreende-se
e sugestiona-se;
de peito inflado, declamava o ensejo
enquanto a dor escorria
latejante líquida
pelas têmporas
d’um sórdido doce desejo.

objetos a despencar
em mergulho,
perpetuados
num abraço.

o espaço a pesar era deveras dentro.
alagadiço de sangue
chacoalhado pelos pulsares
da tormenta de peças e gemidos rudes; 
fantasmagóricos; 
insuportavelmente visuais;
libidinosas.

no compasso de passos verdes amarelados
o instante do regresso 
[corrosivo-insensato]
distanciava-se.
agora, aéreo;
nada ao luxo de soar legível
embora já legitimado
 — o sorrateiro sussurro — 
a quem vela e descortina
os feitos
dessa transição.

[aquiesce a primazia
no mesmo assombro
de ser 
e estar.]