transição.1
ao ouvir teu âmago
o virá a não saber;
e paradoxalmente,
elementos tornam-se seres.
Ele nunca entendeu como nós, geniais símios que somos, nos percebemos por dentro. Ele não via o escuro ao fechar os olhos; nem por isso, via algo. Sentia-se tudo como num mundo mal iluminado. Afinal, não houvesse luz, mal seríamos coisas (visto que somos coisas) e ele não imaginava de que forma alguém de fora poderia conceber a gama do potencial *cabuloso* que se encontra lá no fundo — só de estar ali.
Só de estar ali (embora houvesse uma pitada de inconveniência nos supostos sentidos das coisas), faríamos o bem por bem; e se o bem pra ele por vezes não é o mesmo bem pr’aquele, pudera existir o tal do bem comum?
Já deveriam dizer as boas línguas — idealizava o sujeito— que só se concebe a existência das coisas a partir de uma expectativa por equilíbrio; de todo modo, a harmonia do consenso que nos faz *relativamente* presentes em convívio.
Ao parar, ele tomava a tornar o momento. Não havia clareza ou escuridão. Havia, de alguma forma, somente escolhas e coisas. Fatos (?) de uma cultura a qual capenga, persiste e acaba por existir, com o devido formato das possíveis substâncias e expressões. Determinações arbitrárias e análises subjetivas por excelência (afinal, perante o que não se soube, quem poderá saber?), ou o próprio mecanismo da nossa autoconstrução diária.
Acabava por não sentir o mundo como o mesmo apresentava-se defronte seus olhos; acabou por sentir mais. O todo na interdependência lírica que nos sintoniza em matéria. Ele sabia muito bem que o Acaso, o quem mencionavam por aí, presenteara seu presente também! (…)