Novas Digitais
Uma experiência de aprendizagem na web 2.0
Hoje é o meu primeiro dia no medium. Há tempos buscava um local onde pudesse escrever as minhas experiências com a aprendizagem e ensino. E também minhas angústias porque na nova era que estamos o imediatismo e a informação é onipresente e por vezes direcionam as nossas vidas profissionais para melhor.
Há tempos que gosto de escrever. Comecei com um diário, e depois abandonei a ideia. Anos mais tarde dentro da universidade a necessidade fez o sapo pular e tive que escrever. Textos acadêmicos formatados conforme as imposições dos assuntos, professores, comunidade, normas.. Nunca gostei muito disso. Sempre quis ter a minha própria liberdade para escrever e por vezes a prática tornava-se cansativa porque tudo que escrevia não estava bom ou não se adequava, ou as ideias não eram claras, os conectores não eram justos, o parágrafo que não se encaixava/alinhava dentro do texto, ou a conclusão que nunca tinha fim. E nunca tinha fim mesmo, porque no meu caso as coisas se prolongavam. E eu reescrevia uma, duas, três … Alguns achavam que já podia parar, outros não. E tinha lá o seu limite. Tinha que ficar atrelada a ‘deadlines’ impostos e se caso não obedecesse, era punida. E nem tinha o direito de ouvir se o texto estava bom ou não, como eu poderia resolver os meus problemas de escrita, nada. O professor pegava simplesmente a redação e colocava uma nota. Procurei ajuda de outros professores que ajudaram com dicas, sugestões… Mas aprendi mesmo na prática. E não foi por vias formais, mas sim informais. Vias estas que antes não eram aceitas na escola e hoje a cada dia que passa são reconhecidas através do uso da web. Esta mesma que de início era somente para informação, hoje serve não somente para informar, mas aprender, ensinar, criar, produzir, colaborar…
A partir da minha experiência comecei a ensinar os alunos que também tinham dificuldades em escrever. Muitos tinham como eu os mesmos problemas e meus colegas não sabiam resolvê-los. Os alunos não gostavam de escrever porque eram impostos a fazê-lo e as regras que os docentes pregavam eram totalmente estranhas ao meio deles. O formal e o informal não se ajustavam ao que era pedido e esperado e por vezes o desapontamento, a decepção, a tristeza e o pensamento ‘ eu não consigo’ tomavam conta dos alunos. Os que sobreviviam tentavam ajudar os outros, mas estes por desinteresse e frustação escreviam o que queriam ou copiavam dos colegas. Passavam de ano ( graças as regras e usos decorados da gramática), mas com problemas de escrita.
A motivação sempre me impulsionou a escrever. E foi com isso que comecei a ensinar os meus alunos. Depois passei a ensiná-los a função do texto e como eles deveriam utilizar o sistema linguístico ( que já conheciam por que sabiam expressar as suas ideias oralmente ) a favor da escrita, a importância de ler ( que não era um ato mecânico, mas de compreensão / reflexão / crítico), o manejo da informação / dados / gráficos, o papel do leitor, a função da revisão textual enfim… Conhecimentos estes que embora muitos dos meus colegas sabiam como utilizá-los, mas que por falta de habilidade ou pelo fato se restringirem aos manuais didáticos de escrita e seus conteúdos (muitas vezes numa linguagem não muito clara para os estudantes) não ensinavam aos aprendizes. Pouco a pouco a minha sala ficou repleta ( a disciplina era aberta para todos que tinham interesse em aprender) e percebi que as aulas davam lugar a discussões muito comuns sobre a gramática e o ensino dela. A aprendizagem era mecânica, não significativa. Coisa que aconteceu comigo há anos atrás e continuava se repetindo.
Ao introduzir a web nas minhas aulas percebi que estas ficaram mais dinâmicas. Os estudantes são livres para escolherem como, onde, o que ou formato que querem escrever. As informações que precisam estão alcance à qualquer momento com constantes atualizações ( não precisamos mais dos manuais), existem várias ferramentas que ajudam /possibilitam a traduzir / corrigir os textos, vários modelos eficazes que ajudam a construir um bom parágrafo… Aprendem que colaborar também faz parte do processo de aprendizagem da escrita e não se este restringe a um público definido, mas é aberto/ compartilhado/ ensinado em comunidades… As aulas não se limitam mais somente à escola, mas se prolonga via web. Este ambiente que transforma o conhecimento informal em formal, entrelaça disciplinas/saberes, forma comunidades.. Ou seja, uma importante ferramenta de ensino-aprendizagem.
Ignorar o potencial atrativo que essa ferramenta tem no processo de aprendizagem ou não utilizá-la como um facilitador no ensino é ficar de fora das atualizações constantes da informação (muitas vezes não expostas pelas mídias) e dos novos meios de aprendizagem. Estes que por sua vez a cada dia que passa começa a tomar lugar devagarinho nas salas de aulas pelo seu imediatismo (os alunos obtém informações instanteamente através do uso móvel da web via ipads, celulares, phablets etc) e facilidades.
Facilidades e serviços participantes da vida diária dos estudantes do século 21, que podem direcionar melhor as nossas técnicas de ensino e melhorar o processo de aprendizagem.