Haja coragem para ser mulher hoje em dia

Eu não caminho de noite na rua pra não ser estuprada.
Eu não peço gás morando sozinha por medo de assédio.
Eu não ando de táxi frequentemente porque conheço casos de meninas que foram assediadas pelos taxistas.
Eu não recorro a policiais quando estou com medo porque já recebi mensagens via whatsapp de um policial pouco tempo depois de ter feito boletim de ocorrência.
Eu não confio nos homens para os quais peço informações, o olhar deles vendo a mulher como um pedaço de carne é horrível.
Eu não caminho em festas tranquilamente, homens se sentem no direito de ficar tocando fisicamente as mulheres com as quais esbarram.
Eu não viajo sozinha porque tenho medo, mulheres solitárias são alvo fácil em qualquer lugar.
Eu não coloco a roupa que quero, mas sim a que vai me manter segura (calças funcionam quase como armaduras).

Mais tantas outras situações que formariam uma lista infinita. A sociedade me condenou ao “eu não”.

E sabe o que é pior? É possível que a maioria das pessoas que lerem esse depoimento achem loucura, me chamem de neurótica e/ou exagerada. O homem assedia, a sociedade oculta. Condenam a mulher que usava roupas curtas, inocentam o homem que estuprou. Roubam a minha liberdade pelo simples fato de eu ser mulher e o comportamento mais aceitável (e esperado) é a passividade. Se me revolto, sou a errada, a “feminista chata”.

E sabe o que é pior ainda? Eu, mulher branca, cis, classe média, nascida no Brasil (nação com relativos direitos conquistados pelas mulheres nos últimos tempos) e cheia de privilégios não sofro quase nada se comparado ao que muitas mulheres sofrem pelo mundo afora. Sociedades julgam, apedrejam, condenam, matam!

O motivo? Ser mulher.

Haja coragem pra ser mulher hoje em dia.