Lembranças da infância sem nenhum polimento.

Lembrei de uma coisa engraçada da minha infância.

quando tinha uns 10 anos (com certeza foi antes do 11, tenho certeza disso).

uma professora me mandou fazer um trabalho sobre a prefeitura e a camara de de vereadores na biblioteca.

só que a biblioteca, ficava na prefeitura tambem, então tive a ideia de invadir a prefeitura com um caderninho na mão e pedi para “entrevistar” algum vereador, ainda levei meu irmão menor comigo que devia ter uns 7 anos hahaha

eu não sei por que mais é muito engraçado lembrar disso, não faço a minima ideia de quem era o presidente da camara de santo amaro na época, lembro de estar na sala da camara sentado, fazendo perguntas bobas “são quantos vereadores?” “o que os vereadores fazem?” “Qual a função do prefeito?”

e ele ia me respondendo como se tivesse dando uma entrevista no jornal nacional, e eu levando 10 anos para anotar tudo que ele me dizia.

Quando entreguei o trabalho, como varias coisas que fazia no araujo pinho, foram risos e elogios.

Hoje acho meio absurdo, as coisas que fazia com tanta naturalidade na infancia, parece que não existia taboo para nada e eu achava que podia fazer tudo.

Depois da visita a camara de vereadores, comprei um bloquinho e resolvi pedir para entrar numa feira organizada por alunos do ensino médio do colégio Teodoro sampaio, tambem de santo amaro — BA, la perguntei coisas sobre quimica, e ia anotando maximo que podia, o que sei de cadmio e chumbo e intoxicação por essas substancias aprendi naquele dia e lembro até hoje, foi naquele dia tambem que aprendi sobre acupunturara e homeopatia oriental, que os pés e as orelhas podem estar relacionados a outras partes do corpo,que orelha por exemplo, tem o mesmo formato de um feto numa barriga haha. aprendi os principios basicos do jornalista e ética, e lembro que me levaram para a radio da escola, e como sempre acontecia quando fazia essas coisas, foram muito risos, eu não lembro exatamente o que perguntaram para mim ou falaram na radio mas acho que era algo tipo “estamos aqui com kauã, que esta fazendo uma reportagem pelo colégio” algo assim haha

Eu entrava num lugar e fazia perguntas como se fosse o maior reporter do mundo, e era só um garoto de 10 anos sozinho com um caderninho e curioso pra caramba haha

Lembro-me do primeiro retrato que fiz de alguem no lápis, isso ja aos 11 anos, e eu não tava nem ai pro resultado, nem se quer tinha algum intuito, só fui e fiz, e a sensação de desenhar pela primeira vez alguém, eu só sei que me sentia o maior desenhista do mundo! (Eu tinha desenhado a Iulia, enquanto ela posava pra mim) e dali pra frente ia começar a desenhar e criar os personagens dos quadrinhos que nunca publiquei, que na época achava que eles eram as cosias mais geniais do mundo, e que um dia iam descobrir e seriam o quadrinho mais amado de todos os tempos! (ia ser maior que dragon ball hahaha).

Nessa época também que comecei a ler bastante, lia muita coisa, descobri nessa época um livro do Gonçalvez dias em algum lugar aleatório, e le veio parar em minhas mãos, e não tinha nem mesmo capa, e Dom Casmurro de Machado de Assis,que acompanhados pela primeira paixão gerou realmente lembranças fantásticas,que vão do primeiro amor ao primeiro poema que escrevi.

então entrei na filarmônica, o professor disse que era rígido, que tinha que levar a sério e bla bla bla, que tinha que entregar pelo menos uma lição por dia.

ja nos primeiros dias acho que tava fazendo umas 3 lições por dia por ansiedade, e eu sempre pedia mais uma e mais uma, e ele enchia o saco mandando eu ir pra casa dizendo que não precisava.

ai um dia eu bati(termo que usávamos para nos referir a leitura e interpretação das partituras passadas pelo professor) 27 lições em um unico dia, na 28º lição, eu empaquei, surtei, rasguei meu caderno e taquei tudo dentro do rio subaé, desse dia em diante mais uma vez gerava risos e elogios, eu era o famosos menino das 27 lições num dia hahaha.

Nessa época eu queria tocar saxofone clarineta, mas lembro que eles queria me passar o trompete, estavam estudando de me passar o saxofone.

depois disso fui crescendo, os questionamentos crescendo, a escola deixou de me trazer alegria a passou a me trazer revolta, os professores ao invés de rirem ou me elogiarem quando eu questionava ou perguntava algo, ficavam emputecidos e furiosos, como se fosse umas lastima um aluno fazer perguntas e demonstrar curiosidade ou questionamento sobre algum assunto.

ai fui tacando o foda-se, ficando cada vez mais “rebelde”, bebendo, tacando o terror, virando a má influencia e de repente…

ja sou isso aqui, mas a 12 anos atras eu era uma criança e tanto, e é engraçado eu me dar conta disso agora, por que estou rindo de mim mesmo como todo mundo ria e eu não entendia por que, não era bem um “riso”, elas sorriam para mim, e essa sensação é muito boa, na minha vida adulta, as pessoas não sorriem tanto para mim, mas quando o fazem, hoje , eu tento aproveitar ao máximo, por que é realmente uma sensação muito boa.