Tempo, Time, Tiempo, Temps, Zeit, Tid

Uma coisa, pelo menos, dá para falar sobre o tempo: ele está sempre presente.

Photo by Agê Barros on Unsplash

Por mais que algumas coisas se repitam, também são sempre novas. Talvez para facilitar a nossa percepção da complexidade dos eventos que presenciamos e vivenciamos, vamos criando ciclos que nos ajudam a organizar sequências de atividades, lembranças e celebrações.

Por um lado, algumas lembranças são relembradas com muito gosto e fazem bem, desde que não entrem em um loop de nostalgia que faz mal em doses altas. O que passou constrói de certa forma o que ainda virá e nos deixa prontos a olhar para o que fazemos com uma maior preparação. E com outra série de vieses.

Por outro lado, a capacidade de esquecimento ou de cura do tempo também nos ajuda a reinterpretar memórias (que sempre mudam porque também mudamos) tanto para melhor quanto para pior. Talvez resida aqui o segredo da resiliência, re-significando o que aconteceu à luz dos acontecimentos que ainda virão, sejam planejados ou não.

Sobe os ciclos (ou nossa interpretação do tempo como processos cíclicos que se repetem periodicamente), eles acabam nos ajudando a estabelecer jeitos de medir evolução. Seja pelo tempo decorrido, seja pelas realizações conquistadas. Dão uma ideia geral do quanto conseguimos caminhar e seguir em frente. Ajudam a nos fazer compreender o quanto ainda precisamos nos preparar. Criam novas ideias de nós mesmos, com maior ou menor apego aos outros eus passados e futuros.

É bastante desafiador sabermos que só conseguimos atuar no presente, especialmente quando o presente é algo sempre em movimento e que não pode ser fixado. Talvez a nossa elaboração do tempo como algo impossível nos impeça de fazer coisas melhores. Talvez torne nossas escolhas mais difíceis. Mas conhecendo essas limitações podemos ser mais livres, com menos medo de errar. Isso é o que faz com que o novo surja, em cada momento que aproveitamos o tempo para criar. E continuar criando.