Quero tudo ao mesmo tempo. Não quero esperar o…

Quero tudo ao mesmo tempo. Não quero esperar o porvir, nem o próprio tempo. Quero tudo para agora e já, não tem porque esperar, quero me libertar. Faço tudo de modo a evitar que deixe aquela tarefa para o amanhã. A ansiedade consome, mas também me enobrece. Me deixa viva e caleidoscópica. Monto a árvore de natal um mês antes e mando meus desejos de bons votos muito antes do ano novo virar. Digo obrigada todos os dias, pelo que vem e pelo que virá. Tenho receio do que vem, mas me abraço nas ondinhas do mar, pulando por meus anseios. Abraço, também, gente que não vejo há muito, mas com certa melancolia por não saber, quando, de novo verei. Vem o novo, mas também fica aquele ranço do velho, pois ele nunca se vai. Vejo-os como como estalactites e estalagmites no meu interior. Um pra cima, outro pra baixo. Ondulante e imperfeito, esse é o tempo. Leva tudo, tudo perdoa e tudo conserta. Existe um nome próprio para a fobia do tempo? Músicas lembram cheiros, que lembram épocas, que lembram o tempo. O tempo lembra as pessoas. As minhas pessoas e as dos outros. Deixo tudo ir no meu emaranhado de ideias, divertindo-se nas sinapses cerebrais e desencadeando sorrisos e choros por causa das lembranças. Alguém me disse que não consegue lidar com esse tempo e com essa época. Desatei a rir, porque pensei que conseguisse. Mas não lidamos sobre o que não temos controle. E o tempo, meus caros, é algo que conseguiremos medir, mas nunca suportar. Essa é a ideia de tempo.


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