O adeus que não pronunciamos

Hoje eu tremi ao receber uma mensagem formal de uma amiga. Foi uma das maiores decepções de minha vida. Nesse momento, percebi que às vezes me dou demais aos outros, de forma que eles não dariam da mesma maneira. A dedicação que tenho em nosso relacionamento é algo que você considera totalmente diferente.

Um conhecido que outrora era tão próximo se tornou um completo estranho. Isso indica um ponto de mudança que muitas vezes você não pode evitar. Aquela pessoa com quem você mais se divertia em alguns ou vários momentos de sua vida encontrou uma forma de se distanciar de você, mesmo que você tenha insistido em continuar próximo.

Nos tornamos estranhos, e tivemos de dar adeus. Este adeus nunca foi pronunciado, mas sabemos que nunca mais voltaremos a partilhar aqueles bons momentos. O que resta, se não, apenas torcer por esta pessoa?

Alguns relacionamentos se quebram para que as coisas avancem. Talvez fosse mesmo necessário que nossa amizade se resumisse a um papel formal para que nós crescêssemos. Ou não. Às vezes as pessoas nos fogem a mão, e não há muito o que se possa fazer senão aceitar. Cabe a nós decidirmos se aquela pessoa que fez parte da gente irá continuar existir conosco ou se ela se apagará com a realidade de ter perdido alguém.

Ou quem sabe sejamos nós, eu e o leitor que se identificar, que somos tão sensíveis ao ponto de nunca esquecermos a primeira pessoa de fora da família que nos sorriu.