FEMINISMO PARA QUÊ?

Outro dia uma amiga fez um post sobre homens que adicionam nas redes e vêm “se querendo”, como se ela procurasse homem a todo o tempo. Ela fez o texto, pois um fulano, já excluído a tal altura, veio lhe dizer que ela deveria “agradecer em ter quem a achasse bonita”.

Pois é. Deixa eu te falar, amigo: nós não precisamos de ninguém para nos achar bonita e nem que invada nosso perfil. E olha, eu posso postar foto até nua e não estar procurando homem. É aquela velha máxima do não é não. E do eu faço e me visto como me faz bem e não para o outro. Sim, a MÁXIMA DE FEMINISMO PARA QUÊ? É pra isso aê.

O post da minha amiga me fez pensar o quanto isso já não aconteceu comigo. Olha, teve ‘amigo’ da época de escola, teve gente que já me viu na rua, em aplicativo, de tudo. Eu recebo muitas solicitações de amizade, pois trabalho com teatro. Muita gente me convida para espetáculos e o jeito que essas pessoas me encontram é assim. Quantas vezes adicionei alguém pensando nisso (porque tinha amigos em comum) e o rapaz só queria mesmo é chegar junto.

Mas isso é errado? Bom, as redes sociais são uma forma de conhecer ou encontrar gente em comum. Mas, a agressividade é que é pesada. Entende? Essa coisa de achar a sua abordagem um absurdo é um direito meu. E de não gostar ou me sentir invadida também. Eu sinceramente, já me peguei pensando se tem gente que fica olhando os perfils dos amigos dos amigos para ver se acha alguém… E eu já ouvi: “mas, você não gosta de homem? Tão bonita, corpão e não tem namorado?” E se eu fosse gay? Você vê algum problema?

Nós temos que lidar com isso quando não aceitamos esse tipo de investida mascarada num perfil. Na hora que dizemos não é que vemos o como o homem-macho-alfa nos ataca na nossa suposta feminilidade.

Resolvi mesmo escrever esse texto depois que sai com um canadense (para quem não sabe estou em Toronto) e me peguei machista ao julgar inusitado o cuidado dele com o que eu pensasse ser confortável, com a mania de perguntar e pedir desculpas por tudo, em vez de ‘chegar chegando’. Fui pega no meu próprio machismo latino (somos um povo que exportamos a liberdade e vivemos a opressão do mais conservador). Logo eu. Por isso a reflexão aqui compartilhada me parece tão importante…

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.