XENOFOBIA E UM POVO NÃO INDIFERENTE NO CANADÁ

Um amigo foi me ajudar a mudar da homestay para a casa estudantil e levou de graça um ataque xenofóbico no ônibus. O que aprendemos? Em todo lugar há gente louca e um estrangeiro sempre será um estrangeiro, mas o Canadá é mesmo incrível e você vai entender o porquê.

Vamos à história.

“Quem tem amigo tem tudo em qualquer parte do mundo”. Foi assim que uma pessoa do Canadá se tranquilizou ao saber que eu mudaria da homestay para a casa estudantil com ajuda. Quando a gente vive fora forma a família que não temos perto em amigos queridos. O Everton é dessas pessoas. Ele não nega saída para a balada e não nega estender a mão. Meus amigos dizem que tenho sorte e acho mesmo que a minha sorte vem é deles.

Era um sábado típico de Toronto. Um vento forte, mas calor. Choveu e parou 10 minutos como se nada tivesse acontecido. O Everton estava em um legítimo BBQ (nosso popular churrascão) coreano. Ainda assim, ele atravessou a cidade para ir até a minha casa.

Sem ele eu não conseguiria levar duas malas e umas sacolas. Ah, e ainda perdi minha bolsa que estava a todo tempo grudada na mala. Essas coisas acontecem comigo sempre. Com paciência pegamos o ônibus que nos levaria até o metrô.

Sentamos na parte preferencial, pois o ônibus estava vazio e essa parte é aberta como se fosse um corredor em que cabem coisas grandes. Aqui é bem comum os pais levarem seus filhos naqueles carinhos de bebê enormes e se sentarem ali, por exemplo.

Eis que uma senhora louca — desculpa, mas não temos outro termo — entra no ônibus e praticamente soltando os cachorros no Everton o manda sair, que ele estava no preferencial. Bem, ele falou que ela poderia sentar nos tantos preferenciais vazios que havia ali. Ela disse que não. “So Rude” (muito grosseira). Tentamos um diálogo e quando ele já levantava ela começou a gritar.

Não nos deixava falar, nos chamou de estrangeiros e disse que não sabíamos falar francês e começou a falar algo em francês. Eu nunca quis saber tanto falar francês. Com nosso inglês e assustados com aquele ataque tentamos nos defender e não deixar barato.

Foi então, que pessoas no ônibus levantaram de seus acentos e começaram a nos defender. Dizendo que a mulher estava descompensada. Ao descer, logo em seguida, a motorista do ônibus, veio envergonhada pedir desculpas.

E então, temos ali a lição de um povo cordial. As pessoas podiam ter ficado quietas no banco e na vida delas. Mas elas não o fizeram. Nos defenderam como puderam e não fingiram que não era com elas (e não era mesmo).

Isso foi bonito de ver. Fiquei pensando quantas vezes eu fui indiferente em várias situações. E aqui me deparei muito com isso. Uma vez a mulher parou o caminho dela para me dar carona e ela parecia a Whoopi Goldberg. Acho que meu anjo é tipo Whoopi e joga na loteria.

Em todo lugar ser estrangeiro tem esse peso do não-lugar, sempre há quem não te queira. Mas, atitudes como essas das pessoas no ônibus é o que faz a diferença neste mundão cheio de preconceitos ora abertos ora escondidos.

Quantas vezes você não parou para ajudar alguém pensando “não é comigo mesmo”?

Fica a reflexão….

EM TEMPO: O Canadá é um pais de muitos imigrantes. É jovem e embora tenha enorme território, a população é mal distribuída e eles precisam de gente. Quem quer estudar e crescer, geralmente, ganha uma chance aqui.

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