Sobre erros novos e fracassos monumentais

— Os erros disse — Geralt com ênfase — também têm valor. Não os elimino nem da vida nem da mente. E jamais culpo os outros por eles.
O Sangue dos Elfos — Série The Witcher, livro 3.
É um estado de ser, um modo de ver e uma maneira de agir. | Photo by Joshua Earle on Unsplash

Uma vez, há um ano e meio, falei com a Andressa que tava cansado de cometer os mesmos erros sempre. Erros pequenos, bobos, com consequências imprevisíveis, do imperceptível ao catastrófico.

Mais do que isso, eu estava cansado de fazer coisas que claramente dariam errado porque a hierarquia exigia ou “porque o cliente quer assim”. Errar uma vez é ok, errar duas é ignorar o passado (geralmente era um passado bem próximo, no máximo semana passada). Agora, saber que vai dar errado e fazer assim mesmo é um grau superior de descaso (ou burrice).

Eu queria cometer erros novos, ver fracassos monumentais, colocar a pele no jogo. Aceitar os riscos (negativos e positivos) e assumir a responsabilidade.

Então eu pedi demissão. Sem um plano b. E fui errar por conta própria. Depois errei com os amigos e os sócios que embarcaram na aventura comigo. Errei grande. Errei com novos amigos e novos sócios. Errei com antigos amigos.

Mas que tipo de propósito é esse? Cometer erros? Parece uma idiotice, também acho. Mas de alguma forma fazia sentido pra mim. E era um sentimento que eu precisava seguir. Segui.

Nesse último ano e meio, consegui cometer os erros novos que eu queria. Vi os fracassos monumentais bem de perto (não tão perto, ainda bem).

E de uma coisa eu me orgulho: nunca — nunca — fizemos nada sabendo que ia dar errado. Soubemos recusar. E nunca erramos a mesma coisa duas vezes. Observamos muito. Testamos mais ainda. E aprendemos sempre.

Aprendemos uma monte de coisa que não deve ser feita e outro tanto que dá certo.

É um estado de ser, um modo ver e uma maneira de agir. Não é sobre errar, é sobre aprender.

E sou muito grato (grato pra caralho) a todo mundo que fez isso comigo.

Já eliminei um monte de possibilidades, descobri várias outras. E eu continuo errando, porque os erros também têm seu valor.