sobre os relvinos
a esmo
estado de espírito? quadradamente momentâneo
que ecoa, acalentado
entre uns e outros
ouvindo eternamente o eco dos seus passos indecorosos, obtusos
neles me perco.
e tua tanta dor; meu flagelo.
nossos tempos trouxeram a efêmera alegria do imediatismo. pergunta-me há 8 meses atrás: sou tua;
pergunta-me agora: não sou de ninguém
e de manhã, ainda abraço, consumo e prezo ante a singela dor do dia que, justamente em seu âmago pacífico, segue com tudo aquilo que sou (não tenho ideia do que sou)
dissipada em meu encontro
ortodoxo
incaótico
o olhar cheio de brisa molhada, brisa que encarece e que tanto se posta
lacrimosa e serena, como uma canção nos meus ouvidos
desletra em mim tudo que sei (não tenho ideia do que sei)
e ao deitar nos meus braços de novo,
derrama-me suas dores –
todas as dores do mundo.
vem, nitida e cheia de nostalgia
sol nos pés, vento nas roupas, calor na pele, confusa epiderme! me tire do sol,
me tire do vento
nos acolha, próspera com o solene marasmo do nada mais sentir,
nos acolha amante,
à serventia da nossa sede de palavras mais doces que ambrosia.
como se não nos destruísse cada vez mais a culpa do desprezo inato
como se já não fossem infernais nossos romances descosturados
Os gestos nunca mais corresponderam a melancolia dos olhares mortos que gritam sua beleza: já não trazem o desespero das lágrimas e nem o fascínio das promessas.
Como se valesse um monossílabo esforço para assorear a flacidez das nossas mentes.
