você chora, grita,
implode em confusão
se arrepende de sair do seu universo quadrado e depois me bate
me odeia,
se odeia,
implora por uma fuga de si e corre do gelo que derrete no peito
como se o seu inferno fosse diferente do meu.
volto pra cama e exerço minha única tarefa de buscar nós dois:
me deito em seu corpo, beijo seus restos, embaraço cada fio de cabelo com o meu próprio. arranco suas vísceras e mordo suas entranhas enquanto você nos olha como os protoplasmas amorfos do que um dia foi o globo terrestre. permanece em estado latente de inércia como a crisálida do surto de cada espécie enquanto eu separo sua pele dos ossos e arranco seus nervos, envolta, finalmente, na minha nova capa feita do material mais genial e detestável projetado nos seus nucleotídeos espiralados. afinal, só somos dignos de transgredir a decadência da eternidade afogados em náusea amniótica e na fumaça de nós mesmos
o que faremos agora?
