Pelo direito dos homens de serem tristes
Não escrevo aqui às glórias ou conquistas, já que há muito não sei o que são.
Escrevo à face marcada, expressivamente negativa, pouca de risos,
E enceno nos versos tímidos de um texto qualquer, uma súplica, um grito abafado pelo direito dos homens de serem tristes!
Não cobrem sorrisos a quem já tanto riu diante de dores agudas!
Não queiram que um palhaço carregue um sorriso rasgado de orelha a orelha, se os olhos são fundos e recheados de choro.
Não esperem um ditado que precede o riso, se o que antecede à fala é mágoa e rancor.
Não anseiem clownish de quem vem suspirando à gaita lúgubre do blues…
Não é preciso ter de aguentar nos ombros toda a pressão e o peso de um viver vazio…
Se o suor do trabalho é glorioso por que as lágrimas são tão assustadoras?
Se os dois molham-nos a face, salgam-nos a boca, cansam-nos a voz e irritam-nos os olhos, o que há de diferente?
Não cobrem sorriso de quem quer chorar…
