Pelo direito dos homens de serem tristes

Jardineiro
Jul 30, 2017 · 1 min read

Não escrevo aqui às glórias ou conquistas, já que há muito não sei o que são.
Escrevo à face marcada, expressivamente negativa, pouca de risos,
E enceno nos versos tímidos de um texto qualquer, uma súplica, um grito abafado pelo direito dos homens de serem tristes!

Não cobrem sorrisos a quem já tanto riu diante de dores agudas!
Não queiram que um palhaço carregue um sorriso rasgado de orelha a orelha, se os olhos são fundos e recheados de choro.
Não esperem um ditado que precede o riso, se o que antecede à fala é mágoa e rancor.
Não anseiem clownish de quem vem suspirando à gaita lúgubre do blues

Não é preciso ter de aguentar nos ombros toda a pressão e o peso de um viver vazio…
Se o suor do trabalho é glorioso por que as lágrimas são tão assustadoras?
Se os dois molham-nos a face, salgam-nos a boca, cansam-nos a voz e irritam-nos os olhos, o que há de diferente?

Não cobrem sorriso de quem quer chorar…

Jardineiro

Written by

Escrevo aqui as coisas que eu não quero publicar no Facebook. Só eu leio mesmo.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade