As tirinhas chegam às redes sociais

Por Elisa Campanário, Isabella von Haydin, Raphael dos Santos e Sophia Peres, alunos do 1º JOB

Atualmente, o avanço da internet e das redes sociais possibilitou novos espaços para cartunistas divulgarem seus projetos em diversas plataformas, como Facebook, Instagram e blogs pessoais. Ao observarmos esse fenômeno, entramos em contato com alguns cartunistas atuantes tanto no meio digital quanto no meio impresso, para discutir essa relação com as redes e os fãs.

Os cartoons e charges conquistaram seu espaço e indiscutível importância ao redor do mundo desde The Yellow Kid, personagem desenhado pelo americano Richard Felton Outcault e que teve sua primeira aparição oficial no jornal New York World, em fevereiro de 1895.

No Brasil, a história dos quadrinhos começa com Angelo Agostini, italiano radicado no Brasil, com “As aventuras de Nhô-Quim”, série publicada pelo jornal Vida Fluminense, em janeiro de 1869.

Nhô-Quim

Desde então, diversas publicações nessa área surgiram e marcaram a história brasileira. Dentre elas estão O Pasquim, jornal carioca criado por Jaguar, Millôr Fernandes e outros, que durante a época da ditadura militar (1964–1985) marcou oposição, a revista Grilo, O Balão e muitas outras publicações, idealizadas por grandes cartunistas.

Atualmente, as histórias em quadrinhos de super-heróis são muito procuradas, o que levou a Marvel a disponibilizar 268 HQs gratuitamente em seu site. O acervo inclui desde os clássicos, como Os Vingadores e Capitão América, até as edições mais recentes.

Dentre os cartunistas e chargistas brasileiros, destacamos Laerte, João Montanaro, Zilton Costa, Luciano Freitas, Alberto Benett e Carlos Latuff, cujo trabalho pesquisamos mais detalhadamente e podem ser conferidos nas próximas postagens. Como produção independente, exemplificamos o quadrinista baiano Hugo Canuto, que estuda sobre Exu, Iansã e Oxóssi e produz a série Contos dos Orixás, mesclando as histórias dos mitos orubás com os super-heróis.

Vale ressaltar as diferenças de estilo: enquanto o cartoon é uma crítica de costumes, a charge é uma ilustração opinativa, com teor político.

João Montanaro, um prodígio em charges e cartoons

Por Elisa Campanario, Isabella von Haydin, Raphael dos Santos e Sophia Peres

João Montanaro começou a desenhar aos 6 anos “porque não sabia jogar futebol”. Aos 14, já fazia tirinhas para serem publicadas na Folha de S. Paulo, jornal em que contribui até os dias de hoje. Agora, com 21 anos, cursando design gráfico e já pensando em “se aposentar” das tiras, ele se dispôs a nos encontrar no café do cinema Reserva Cultural para ceder uma entrevista bem-humorada em que discutimos sua trajetória, inspirações e ideologias presentes em seu trabalho, sobre ter publicado alguns livros e pagar sua faculdade através de sua arte e também sobre a crise do jornalismo e a “morte da mídia”, como ele mesmo chamou essa ocorrência. Gostou do moço? Vem ver mais!

-“Cócegas no Raciocínio”(2010) foi o primeiro livro, um compilado de quadrinhos, pelo qual ele tem grande carinho, mas que não teve grande repercussão na mídia e pouco vendeu. João nos contou, então, rindo, sobre a felicidade que sentiu ao encontrar, pouco tempo atrás, esse livro nas máquinas de metrô que vendem livros baratos.

  • “Eu Não Me Arrependo de Nada” foi seu último livro, lançado por ocasião da Comic Con Experience 2016, para a qual foi convidado, optando por criar alguns desenhos e compilar em um livro.

Alberto Benett: talento que vem de família

Por Elisa Campanário, Isabella von Haydin, Raphael dos Santos e Sophia Peres

No dia 12 de maio de 2017, entrevistamos via e-mail o cartunista Alberto Benett. Nascido em Ponta Grossa, no Paraná, ele trabalha para a Folha de S. Paulo desde 2007. De uma forma atenciosa, o cartunista reservou um tempo para responder algumas perguntas que fizemos para ele, sobre o início de sua carreira e como sua família reagiu ao saber de seu talento. Alberto Benett também nos falou sobre a reação do público às críticas sociais presentes em seu trabalho, como a internet o influencia e o futuro das charges nos meios impresso e digital. A entrevista está cheia de curiosidades, vale a pena dar uma conferida.

-Quando você percebeu que tinha habilidade para desenhar e como sua família reagiu?

-Bem, acho que foi culpa da minha família eu ter começado a desenhar. Meus dois irmãos desenham, meu avô desenhava… creio que é mal de família mesmo. Eles nem tinham noção de que isso poderia, um dia, vir a ser minha profissão. Se tivessem, provavelmente ficariam preocupados (risos).

-As críticas sociais e políticas que aparecem em suas charges são bem aceitas pelas pessoas ou existem criticas em relação ao seu trabalho?

-Algumas aceitam, outras acham péssimas. Depende, claro, de qual lado da história o leitor está. Fãs de Bolsonaro e da Igreja Católica tendem a não simpatizar muito com meus desenhos. Acho que todos sabem que, acima de qualquer partido ou ideologia política, minha crítica é a uma pessoa específica que ocupa um cargo público ou tem relevância na sociedade e não está acima de críticas.
 
 
-Você tem a influência dos filmes de Woody Allen, Will Ferrell e dos irmãos Marx. Como isso ajuda na hora de desenhar e fazer seu trabalho?

- Para ser sincero, acho que essas influências ficaram para trás. Esse autores tinham uma grande relevância quando eu desenhava tiras de humor e escrevia textos no meu antigo blog. Há tempos não me entusiasmo com Will Ferrell. Hoje em dia gosto mais de Steinberg, Siné, Troche. Mesmo Woody Allen e Groucho Marx têm sido um pouco cansativo, são fases. Gosto mais de Life in Hell, do Matt Groening.

-Você começou em que meio de comunicação, no impresso ou direto na internet?
 
-Comecei no impresso, no tempo em que existiam impressos (risos). Porém meu trabalho teve muito mais repercussão na internet, onde eu me via livre do regionalismo do impresso. Os jornais onde trabalhei tinham “perfis de leitores” e quando eu olhava um velhinho na rua com o jornal debaixo do braço pensava: “Esse cara não deve curtir meus desenhos”. Além do que na internet tenho mais liberdade, também.

- Para você, qual a maior diferença da publicação de suas tirinhas na internet e nos jornais?
 
-A reação dos leitores. Quando publico num jornal que tem um público específico, que não é o meu, sou ignorado completamente. Na internet encontrei um público muito mais amplo, de gerações diferentes e que dão respostas quase imediatas ao desenho. Com o tempo, mesmo publicando em jornais, passei a desenhar pensando no público da internet.

-De onde vem a inspiração para fazer as suas charges?
 
-Não sei se ultimamente ando desenhando charges inspiradas (risos). Acho que do próprio nonsense que é a vida pública e do quão ridículo as figuras poderosas se comportam. E da raiva e impotência em pensar que eles vão continuar aí por mais 10 ou 15 anos e, depois de morrerem, seus filhos e netos continuarão o legado de incompetência e corrupção. É uma dinastia desastrosa que temos aqui no Brasil.
 
 
— Sobre seus personagens, como você fez para criá-los, de onde vem a inspiração para a personalidade deles?
 
-Acho que me inspiro em mim mesmo, nas minhas experiências, nos meus medos e comportamentos idiotas que merecem virar piada. Se bem que o Amok, meu personagem mais conhecido, é um psicopata que quer comer os 
pais com molho pesto. Nunca quis comer meus pais, mas adoro pesto.

- A internet ajudou na divulgação do seu trabalho? O que você acha desse meio de comunicação?
 
-Valioso e essencial. Não tem mais volta, a internet é a coisa mais legal que inventaram depois do molho pesto.

-Você acha que a charge tende a crescer/ser mais valorizada nesse meio 
nos próximos anos?

-Não nos jornais. Os jornais estão mudando para a internet e com eles vêm uma nova geração de editores que não veem a charge como algo fundamental para a publicação. A charge vai existir independente dos jornais. Vão trilhar caminhos diferentes.

-Há uma equipe que te ajuda na produção dos desenhos? Como é o processo desde a ideia até sua publicação?

-Não. Essa profissão é um trabalho solitário. Aliás, a segunda coisa mais divertida de se fazer sozinho.

Latuff, o cronista visual da barbárie

Por Elisa Campanario, Isabella von Haydin, Raphael dos Santos e Sophia Peres

Quando se fala em charges, não se pode esquecer do chargista e ativista político Carlos Henrique Latuff de Souza, mais conhecido como Latuff. Tudo começou em 1989, em uma agência de propaganda no centro do Rio de Janeiro, onde ele trabalhava como ilustrador. A partir dali, tornou-se chargista ao publicar no boletim do Sindicato dos Estivadores, um ano depois. Atualmente, a imprensa sindical segue como parte forte de seu trabalho.

A internet teve papel essencial no desenvolvimento do seu trabalho, pois possibilitou a produção de desenhos para o movimento zapatista, marcando o início do seu ativismo artístico. Em uma viagem para a Cisjordânia em 1999, começou a apoiar a causa palestina e o antissionismo, que ganharam espaço no seu trabalho.

Apesar de ter nascido no Rio, Latuff alcançou um público internacional e seu trabalho já atravessou oceanos. Produziu caricaturas e charges sobre a Primavera Árabe, tornando-se figura importante para os manifestantes árabes. Na foto abaixo, de 2011, podemos observar um manifestante no Egito segurando um cartaz com uma charge feita pelo brasileiro.

Foto publicada em 28 de janeiro de 2011, pela Revista Época, em matéria intitulada “Charges cariocas no protesto egípcio”

O chargista também participou do Concurso Internacional de Caricaturas sobre o Holocausto, que aconteceu em 2006, em Teerã, em resposta às caricaturas de Maomé publicadas pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten. Latuff ficou com o segundo lugar do concurso, que teve como tema central o limite da liberdade de expressão.

Charge de Latuff ganhadora do segundo lugar do Concurso Internacional de Caricaturas sobre o Holocausto

O ativismo de Latuff, entretanto, não para por aí. Abaixo podemos observar alguns de seus trabalhos mais recentes, que abordam temas da política brasileira.

Para conferir as entrevistas, é só clicar aqui:

Luciano Freitas na mira do Instagram

Por Elisa Campanário, Isabella von Haydin, Raphael dos Santos e Sophia Peres

Graças ao Instagram @Namiradamoda, que conquistou 50,2 mil seguidores, a série de quadrinhos Verão da Lena evoluiu para um livro. Aqui entrevistamos seu criador, o carioca Luciano Freitas, que é designer gráfico, publicitário, ilustrador, chargista, cartunista e lomógrafo(movimento fotográfico que utiliza câmeras automáticas). Durante esta entrevista, conversamos sobre a importância das redes sociais na divulgação de seu trabalho, inspirações, interação com os leitores e como é o processo de criação de um quadrinho.

- Há quanto tempo você faz as tirinhas e os cartoons?

- Essas tirinhas eu comecei a fazer por volta de 2009, entre 2009 e 2010. Então, deve ter uns sete, oito anos que eu faço.

- E de onde surgiu a ideia de fazer as tirinhas do Verão da Lena?

- No início, não tinha a ideia da Lena, ela não existia. O nome da série era Na Mira da Moda, com a ideia de abordar conceitos sobre consumismo, compras, essas coisas. Só que aí o mote foi mudando, as ideias foram mudando e logicamente virou outra coisa.

- Hoje em dia, são baseadas em pessoas e situações da vida real? Da onde você tira essas inspirações?

- Não, não. Não tem uma fonte real de histórias. Logicamente, pessoas que me cercam me inspiram: minha esposa, minha afilhada, mulheres que me rodeiam, minhas amigas. Então, certas situações eu acabo pegando e transformando numa ideia desenhada. Mas não existe uma inspiração real, elas podem vir dentro da barca, lendo uma revista, etc.

- No caso do Verão da Lena, é uma série, então as histórias têm continuidade, certo?

- Ali, sim. Tem uma sequência, a história ganhou uma sequência. Nesse caso a inspiração já era diferente, usei muito do contato com o público, os comentários que eles faziam. É como um escritor de novela, ele vai vendo a audiência, os personagens que têm mais aceitação e a história vai correndo em cima disso.

- Quando você começou a escrever, já sabia que viraria uma série ou foi algo que ocorreu naturalmente?

- Quando eu comecei, eu já sabia que era uma série. Só que eu não tive um processo de roteirizar e depois começar a desenhar, eu fui fazendo tirinha após tirinha. Por dia eu produzia entre uma, duas, às vezes até três tiras por dia e deixava elas para serem postadas mais pra frente. Eu ia postando uma por dia. Assim, a história foi sendo criada dia após dia, eu não criei a história e fui desenhando, entendeu?

- Sim. E você pode contar um pouco como é, como funciona esse processo de criação?

- Então, o processo de criação varia muito. No Verão da Lena, primeiro eu pensava numa situação e, baseado nessa situação, tentava criar um roteiro de tira. Embora seja uma série, as tiras têm início, meio e fim. Então, você tem que ter um texto amarrado, de forma que a pessoa que não acompanha a série, leia a tira e entenda a ideia que ela quer passar, sem precisar ter lido a série toda. Mas, às vezes, o desenho vem antes do texto e conforme eu vou desenhando, vou pensando no texto. E, às vezes, o próprio desenho me sugere um texto a ser incrementado.

- Você diria que quanto tempo, em média, demora esse processo?

- Ah, pois é, sempre me perguntam isso. Em média eu vou te dizer 45 minutos. Pode ser que uma tira leve até duas ou três horas para ficar pronta, mas pode ser que fique pronta em 15 minutos.

- E todo o processo é feito por você ou tem uma equipe que te ajuda?

- Não, não, tudo eu (risos). O pensamento, a ideia, a tira, tudo. A postagem e depois ficar monitorando a postagem e os comentários, é tudo eu. Não tem ninguém ainda não (risos).

- Você mencionou os comentários do público. A internet proporciona essa interação enorme com o público, um contato direto com quem lê. O que você acha disso e como você trata essa situação?

- Eu acho bacana, acho que isso desenvolve muito mais a ideia do cartunista do que ficar desenhando, publicando e não ter uma real ideia do que as pessoas estão achando, se estão gostando ou não. Ali não, é imediato. Você postou, a pessoa curte, comenta e compartilha. A partir disso, você vai se moldando. Hoje em dia, eu já sei o que vai fazer sucesso e o que não vai. Essa interação é muito bacana. Essas plataformas, o Instagram principalmente, mas o Facebook também, dão essa agilidade. Você consegue adicionar o fã, ele te adiciona e quer conversar com você, o que é bacana. Às vezes atrapalha um pouco (risos), mas é bacana.

- E agora o Verão da Lena está no processo de virar livro também. Como vai ser essa passagem de um projeto que você faz para a internet e que vai ser transformado para o papel?

- Como eu já fui fazendo as tiras imaginando isso virando um periódico, alguma coisa impressa, eu não tive grandes problemas de adaptação. Mas, por exemplo, as tiras vêm com o título “Verão da Lena” escrito bem grande em cima, para as pessoas no meio digital saberem que essas tiras fazem parte de uma série. Dentro de um livro, isso já não precisa. Então, eu criei para o livro tiítulos para cada tira, para que as pessoas não leiam como um gibi, que você lê direto. É preciso ter um timing, um ínicio, meio e fim. Quando sai do digital e vai pro impresso, o timing de leitura é outro. Quando a pessoa pegar o livro para ler, vai ter quase 100 páginas ali, ela pode ler direto ou pausadamente, mas precisa ter algo que informe que ao virar a página, é outra tira, outra situação.

- Quando você começou, tratava como um hobbie ou sempre foi uma atividade profissional?

- Até hoje é meio um hobbie porque meu ganha-pão não vem da Lena, nunca veio. Mas eu tenho uma coisa, que eu acho que é minha, de levar muito a sério as atividades que começo, mesmo sendo hobbie. Então, eu crio certos prazos para mim mesmo, certas obrigações que, na verdade, não são obrigações porque se eu não postar a tira hoje, eu não tenho um chefe que vai me cobrar, mas tem eu mesmo que vou me cobrar uma rotina para aquilo acontecer, para a coisa não cair no esquecimento. Daqui a pouco eu vou achar um outro hobbie, aí eu paro de fazer as tiras e vou fotografar, vou fazer outra coisa. Então, crio essa rotina, como se fosse um trabalho, mesmo não sendo, que é pra eu continuar, me forçar a manter aquilo vivo. É lógico, é porque eu gosto, na hora que eu perder o tesão paro e começo outro projeto. E assim vai.

Uma noite com Laerte

Por Elisa Campanario, Isabella von Haydin, Raphael dos Santos e Sophia Peres

Em um evento de divulgação de curtas sobre mulheres, o “Cineclube das Outras”, no qual a nossa entrevistada era protagonista do curta Vestido de Laerte(2012), de Cláudia Priscilla, conversamos com Laerte Coutinho, que é uma das mais importantes e reconhecidas cartunistas e artistas brasileiras. Já atuou em diversas áreas, como internet, veículos impressos, cinema e televisão, vivenciando a transição das publicações em papel impresso para o digital, trazida pela internet.

Com estudos em Jornalismo e Música pela Universidade de São Paulo, Laerte é uma personalidade muito importante para o jornalismo e a arte brasileira. A cartunista começou sua carreira profissional na revista Sibila, com os desenhos do personagem Leão, em 1970. Fundou, junto a outros cartunistas, as revistas Balão e Circo; trabalhou nas revistas Placar, Banas, Chiclete com Banana, Geraldão e no jornal a Gazeta Mercantil. Na época da ditadura militar, produziu material para sindicatos e para o MDB(Movimento Democrático Brasileiro), na época, o único partido legalizado de oposição ao regime militar. A artista trabalha para a Folha de S. Paulo desde 1991, jornal no qual publica, desde então, suas charges diariamente. Também possui vários livros com diversas temáticas, como O tamanho da coisa(1985), Deus segundo Laerte(2000), Piratas do Tietê-A Saga Completa(2007), Carol(2010) e Muchacha(2010)

Além disso, ela é uma figura importante para a comunidade LGBT por falar abertamente, desde 2010, sobre a prática pública do crossdressing e identificar-se como transgênero. Em 2012, tornou-se cofundadora da ABRAT (Associação Brasileira de Transgêneras), que apoia mulheres que também passaram pela transição. O documentário Laerte-se, disponível no Netflix, aborda a questão da sua transição e autoaceitação como mulher.

Os quadrinhos de Zilton Costa

Por Elisa Campanário, Isabella von Haydin, Raphael dos Santos e Sophia Peres

Zilton Costa é um desenhista que produz quadrinhos internacionalmente e já trabalhou para editoras como a americana Argo Comics. Em meio a tantos projetos, conseguiu um tempo para conversar conosco e deu detalhes sobre seu trabalho, o panorama dos quadrinhos no Brasil e a influência do meio digital em uma conversa exclusiva. Vem ver!

-Você faz quadrinhos há quanto tempo?

-Desenho quadrinhos desde 1997. Mas a partir de 2012 passei a atuar como profissional, quando fiz meu primeiro trabalho para a editora americana Argo Comics, com duas edições: “Origino f Shazrath” e “Origino f Chain Reaction”. Desde então, tenho trabalhado com editores nacionais e internacionais.

-Qual o processo de criação de um quadrinho? Quais as diferenças entre esse processo e o de criação de uma tirinha?

-Eu desenho mais revistas em quadrinhos do que tiras. Na verdade, desenhei pouquíssimas delas. Mas o processo em si é muito parecido. Cria-se um roteiro, depois o esboço da história, depois o lápis e a arte-final. Por fim, temos as cores, letras, diagramação e publicação.

-Você saberia nos contar um pouco sobre as diferenças de produzir para veiculação online e para veiculação impressa?

Em suma, a diferença está no processo final. A edição impressa precisa passar por uma gráfica, distribuição, envio pelos correios. Já na edição online, dispensa-se o processo de impressão e distribuição. As vendas ou a leitura ocorrem diretamente pela internet. Ambos são muito importantes.

-Qual o público que normalmente lê seus quadrinhos?

-Geralmente, o público com idades distintas, entre 13 e 55 anos, creio eu. Não tenho uma censura para minhas histórias. Qualquer pessoa pode ler.

-O que você acha da interação com o público que a internet proporciona?

-É muito interessante. Aproximou mais os artistas e o público, trazendo uma visibilidade maior.

-Existem várias tirinhas e quadrinhos que tratam de assuntos políticos no Brasil, muitas vezes fazendo críticas. Na sua visão, de alguém que trabalha nesse meio, qual o impacto político dessas tirinhas e quadrinhos no Brasil?

-Pra mim, o impacto político e social é muito pequeno. Não acredito que uma tira vá causar grandes impactos na sociedade brasileira, visto que as pessoas normalmente não refletem muito sobre a crítica nas tiras e nos quadrinhos.

-Por último, você poderia nos contar um pouco sobre o crescimento dos quadrinhos no Brasil nos últimos anos? Você diria que a internet e os meios digitais influenciaram nesse processo?

-Os quadrinhos em geral tiveram um crescimento bastante significativo no Brasil após a chegada e consequente crescimento da internet. Isso trouxe grande visibilidade aos artistas e seu trabalho. No entanto, esse é o momento em que, mais do que nunca, somente os trabalhos realmente relevantes e de qualidade vão sobreviver.

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