Diversidade! Cultura! São Paulo pra quem vem de fora

Por Izadora Del Bianco, Jonas Ribeiro, Julia D’Alva, Luisa Pascoli, Marcelo Babogluian e Milena Alvarez, alunos do 1º JOB

Não é novidade que a maioria da população de São Paulo não nasceu ali. Um cenário composto por pessoas de diferentes lugares do país e do mundo fazem dela o principal centro corporativo, mercantil e financeiro da América do Sul. 
 É a 14ª cidade mais globalizada no ranking mundial. Atualmente com 20 milhões de habitantes, é também a 7ª mais populosa do mundo e a mais populosa do Brasil. No ano passado possuía moradores de 196 nações diferentes.
 Mas, afinal, quais são os objetivos e as motivações que trazem tantos imigrantes para esta megalópole? Conversamos com a uruguaia Ninoschka Klassanoff, com o cearense Cícero Pereira de Souza, com a gaúcha Roberta Brandalise, com o pernambucano André Luiz da Silva e com alunos da Faculdade Cásper Líbero sobre a vinda para este enorme centro urbano, suas frustrações e também alegrias. Cada caso é importante para a construção do que conhecemos hoje como uma influência nacional e internacional de economia, política e cultura.

Frevista alcança o sucesso mostrando a essência de Pernambuco em São Paulo

André Luiz Santana da Silva

No bairro mais agitado de São Paulo, a Vila Madalena, localiza-se a Companhia de Dança Cisne Negro. Rodeado de paredes preenchidas por quadros das notáveis bailarinas da academia, André Luiz Santana da Silva, de 24 anos, mostra todo o seu potencial. Nascido nas proximidades de Olinda, em Pernambuco, ele conta com um sotaque nordestino um pouco sobre sua vinda para São Paulo, os problemas que enfrentou e o sucesso que conquistou na capital paulista como professor, coreógrafo e dançarino.

Para um bailarino de frevo, balé clássico e contemporâneo, seu cabelo black — como ele mesmo o classifica –, comprido em tranças, e seu marcante modo extrovertido causam um choque logo à primeira vista. Justamente pelo jeito comunicativo e ousado é que o pernambucano conquistou sua vaga de trabalho em uma das mais renomadas academias de dança de São Paulo. “Eu vim com a cara e a coragem, cheguei aqui com a roupa do corpo, não estava disposto a ficar, trouxe apenas uma mala com cuecas”, diz o entrevistado.

André soube, através de um conterrâneo que estava morando na capital paulista, que a Companhia de Dança Cisne Negro estava com audições abertas para professor. Apesar de não querer deixar Recife, foi aconselhado pela avó, por quem fora criado e por quem tem o máximo respeito, a deixar sua terra natal e vir para a maior cidade do país. Em fevereiro de 2015, André decidiu vir em busca da concretização de sua carreira profissional.

André coreografando na Academia Cisne Negro. Foto por Milena Alvarez.

Fora dos padrões, chegou ao teste sem sapatilhas, trajando apenas short, regata e tênis. Não acreditou que conseguiria enfrentar os outros candidatos característicos do balé clássico, pois o ritmo do frevo e o jeito pernambucano corriam em suas veias. Dando o seu melhor, passou para a segunda fase junto a outros cinco bailarinos. Teriam ainda uma semana de aula para a decisão do novo professor, quando André perguntou atrevidamente a uma das juradas da audição o porquê de ter passado. “Eu não posso perder tempo aqui, preciso saber por que passei, para ser honesto comigo mesmo antes de levar um não.” A jurada respondeu apenas que ele viesse na semana seguinte.

Decidido a tentar, permaneceu na cidade e após sete dias de aulas e testes, ao ser informado que apenas um dos seis candidatos passaria, enfrentou os jurados novamente. “É uma falta de respeito vocês escolherem apenas um, como pode eliminar essas pessoas sem nem ao menos conhecer a história de cada um deles?” André, ousadamente, convenceu-os a escutar os bailarinos, e, ao fim, quatro dos seis que estavam presentes foram selecionados, estando André entre eles. “Tinha que ser um pernambucano atrevido para nos fazer mudar de ideia”, disse uma das professoras presentes na ocasião.

André em apresentação de frevo

Desde pequeno, André gostou de dançar. “Diziam que eu era o mais atentado da família, por estar sempre me movimentando.” Aos 11 anos, acompanhava sua avó, Rainha de Marisqueira nas praias e carnavais do Recife. Portanto, sempre teve contato com o frevo, iniciando pelo ritmo do coco, uma das modalidades das danças brasileiras. Mais adiante, entrou para a Escola de Frevo do Recife, onde se formou em danças brasileiras, adquirindo experiência e entrando em contato com grandes nomes do ritmo, como Mestre Salustiano e Ariano Suassuna. Além disso, após um tempo, André especializou-se em Balé Clássico e Contemporâneo.

Ao entrar para academia, foi convidado por uma das donas a montar uma coreografia voltada ao frevo para as bailarinas do balé clássico. Aceitou receoso, descrente de que as alunas alcançariam uma mudança brusca na forma de dançar, devido à diferença entre uma modalidade e outra. Desafiado a ensiná-las um pouco do ritmo, mudou principalmente o preparo físico das dançarinas.

A primeira coreografia montada pelo pernambucano foi “Cheguei”, uma homenagem aos pescadores do Recife, incluindo seu avô, o qual André, aos 11

anos, viu falecer em sua frente numa jangada em alto-mar, enquanto pescavam. O avô, João Batista, sofria de epilepsia. Ao encontrarem o peixe que ele tinha sonhado em pescar, o senhor de 42 anos sofreu um ataque, caindo com a cabeça n’água. André passou dois dias em alto-mar até conseguir chegar novamente à beira da praia, onde todos estavam a procurá-los. A música era a que seu pai cantava para ele quando menor. Em uma adaptação dos passos do balé para os do frevo, as bailarinas conseguiram executar os movimentos de forma única.

André dançando em apresentação na cidade de Recife.

O sucesso da coreografia fora tanto que uma segunda foi montada: “Sonhei que estava em Pernambuco”, para representar a Cisne Negro na seletiva do Festival Tanzolymp. Um festival internacional de danças que ocorreu em fevereiro de 2017 em Berlim, na Alemanha. Por conta da singularidade e da mostra de um ritmo brasileiro tão característico, os jurados a selecionaram para a segunda fase. “Ao fim do espetáculo, um deles veio na minha direção e me perguntou quem era o coreógrafo daquelas meninas, porque ele ia parabenizá-lo pessoalmente pelos detalhes e as emoções transpassadas nas coreografias, falar que eram danças assim que gostaria de apresentar para o pessoal de fora”, lembra André. Ele se emociona ao falar sobre a apresentação em Berlim, em êxtase e orgulhoso por ter apresentado um pouco da sua cultura a São Paulo e além.

André preparando as bailarinas da Academia Cisne Negro para ensaio geral antes do festival. Foto por Milena Alvarez.

Hoje, na capital paulista, André monta sua carreira profissional como bailarino e professor, além de fazer alguns trabalhos como figurante e modelo. Espalha um pouco de Pernambuco por onde passa. Ao ser questionado se já sofrera algum tipo de preconceito devido a seu sotaque, André nega e fala que os paulistanos acham “bonito”. “É um culete danado quando eu vou à feira e peço coisas do Recife que aqui têm outro nome”, brinca.

Entre outras diferenças, o professor vê as duas faces da moeda em relação ao trabalho na cidade. Diz que São Paulo dispõe de muitas oportunidades, mas que se impressiona com o tanto que o paulistano se preocupa com o emprego: “As pessoas esquecem de ser feliz aqui”. André conta que, apesar da frieza que observa em muitas pessoas por conta da correria do dia a dia, conquistou muitos amigos e muita coisa boa. “ Uma delas foi o respeito pela minha cultura, eles dão muito valor e carinho.” Mesmo com a saudade que sente da família e das praias, diz que, para o futuro que deseja na dança, aqui é o seu lugar.

SIMPATIA URUGUAIANA EM SÃO PAULO

A porta do elevador se abriu e ela já estava a nossa espera com um sorriso no rosto. Nos recebeu com suco e bolo, dizendo que “é um prazer poder ajudar jovens jornalistas” contando um pouco de sua história.

Ninoschka Klassnoff é uruguaia, tem 45 anos e veio para São Paulo há 15, em razão do trabalho do marido, Juan Pablo de Vera. Nascida em Montevidéu, criou-se lá até os 21, mudou-se para a Argentina, onde permaneceu durante 10 anos, e logo depois chegou à capital paulista. Nina, como é conhecida, disse que o contato que possuía com o Brasil era apenas na parte que faz fronteira com o Uruguai, a região sul do país. “Uruguaio gosta muito de praia, então Florianópolis é a nossa segunda casa.. A ideia que tinha em relação a São Paulo antes de vir morar era de uma cidade industrial, com muito trânsito e muitos prédios.

Nina e Juan. Foto: acervo de família.

Ao chegar à capital paulista, com seu marido e sua filha de 4 anos, ela conta que a primeira grande diferença que notou foi o cheiro local, uma mistura de álcool e poluição, algo diferente do que conhecia no Uruguai e na Argentina, cidades bem menos poluídas. “Estranhei durante uma semana, depois o olfato se acostuma.” Além disso, relata que o maior entrave foi em relação à língua, já que não falava português. A adaptação se mostrou um período bem difícil, tinha que falar o mais devagar possível para ser compreendida. É formada em dermartocosmeatria, uma área de trabalho que não existia no Brasil e hoje se aproxima da profissão de esteticista. No início em São Paulo, trabalhou em um salão até engravidar das suas filhas mais novas, que são gêmeas, provocando uma total mudança em seu estilo de vida. Ela deparou com um fato comum na vida de muitas famílias brasileiras: as babás. Mãe de três meninas pequenas, Nina se viu na necessidade de ter uma babá para ajudar no cuidado das filhas. Contou que no Uruguai essa é uma profissão quase inexistente, que cabe apenas a famílias estrangeiras. “Na minha terra, quem usa roupa branca é um profissional da saúde”, disse, ao explicar que não concorda com o uso desse tipo de uniforme e vê isso como uma questão cultural. Para ela, seria uma tentativa de diferenciar o funcionário do patrão. uma visão de Nina, uma babá deveria ser parte da família.

Abordou que a principal diferença que observa entre a sociedade brasileira e a uruguaia é a estrutura das classes sociais. Segundo ela, a pirâmide do Uruguai é mais fechada, com muita classe média. Já a pirâmide do Brasil é mais ampla e a distância entre pobres e ricos é bem menor, ou seja, o rico é muito rico e o pobre muito pobre. Ninoschka disse que os uruguaios também sofrem com a miséria, porém a quantidade é menos numerosa. Um dos episódios marcantes em que esta situação ficou bem clara foi em uma reunião de condomínio no seu prédio, quando estipularam uma regra de que os funcionários não poderiam entrar pela mesma porta dos moradores. “Isso me chocou muito, fiquei meio impactada. ”

A questão da língua foi algo extremamente marcante na sua vinda para o Brasil. Nina contou que no começo tentou falar apenas em espanhol dentro de casa para que as filhas também falassem, porém, quando as meninas começaram a frequentar a escolinha, a missão foi abortada. “Elas vinham cantando as musiquinhas em português e eu não entendia nada.” Nina disse que nunca irá perder o sotaque, mas que atualmente a comunicação se tornou mais fácil. Uma situação cômica que enfrentou logo no início foi no dia em que decidiu lavar o chão da sacada, porém não sabia que isso causava uma espécie de vazamento no apartamento debaixo. O porteiro, nordestino e falando um português extremamente rápido, ligou reclamando. Ela não conseguiu compreender uma palavra, e foi preciso que conversassem pessoalmente para ambos se entenderem.

Nina na pré-escola no Uruguai (primeira no canto inferior esquerdo). Foto: acervo de família.

Ao ser questionada sobre se já sofrera algum tipo de preconceito devido a seu sotaque, ela afirma que não. Porém sempre escuta que, por ser estrangeira, não tem direito de opinar sobre alguns assuntos relacionados ao Brasil. “Eu sou um ser pensante, também”, desabafou. Para descrever como se sente, usou uma metáfora dizendo que várias vezes ouviu que os estrangeiros não possuem raízes. Ela, por sua vez, acredita que os estrangeiros possuem raízes, porém não são árvores, fixas. São plantas em vasos, versáteis. Nina relata que uma das coisas que mais pesam é o fato de não possuir uma história anterior, amigas de colégio, por exemplo. Criar vínculos profundos é muito difícil. “Você aparece adulta e a sua história começa a partir desse momento.”

Nina diz que os brasileiros são muito cordiais. Apesar do preconceito existente, recebem gente de todo canto do mundo. Acredita que a causa das classes sociais serem tão delimitadas no Brasil seja devido à colonização do país e o longo período de escravidão que se instalou aqui. A diferença de oportunidades que as pessoas enfrentam, dependendo da sua classe social, foi notada por ela no momento em que contratou, pela primeira vez, uma funcionária doméstica, analfabeta. “Até meus 30 anos, em dois países, nunca havia conhecido alguém analfabeto.” Esse choque de contato mostrou que nem todo brasileiro possui os mesmos recursos e ela se viu introduzida na maneira como se organiza a sociedade. Vê isso como algo horrível. “De alguma forma você pertence a uma classe social e tem que ter padrões de comportamento.” Ela acredita que os estrangeiros são mais flexíveis e, por isso, não enxerga com preconceito pessoas como negros, brancos, amarelos. Enxerga-os apenas como seres humanos. “ Mas eu aprendi que aqui no Brasil isso é uma coisa muito difícil.”

Sobre as expectativas que carregava na vinda para o Brasil, Nina conta que esperava enfrentar um grande desafio e uma possibilidade de crescimento econômico, já que São Paulo é vista como uma cidade de muitas oportunidades e que auxiliaria na ascensão da empresa do marido. “Eu sabia que tinha que deixar muita coisa em prol de outra.” No momento da partida da família para a capital paulista, a Argentina estava em uma situação de crise, contexto totalmente diferente em que se encontrava o Brasil, que passava pelo período do primeiro governo Lula e a economia estava crescendo. “Foi um contraste bem forte.”

Antes de chegar a São Paulo, Nina relatou que um dos estereótipos de que tinha conhecimento era em relação à roupa das mulheres brasileiras, sempre com uma mistura mais exótica de estampas e cores. Percebeu que, com o tempo, as mulheres paulistanas estão muito mais sofisticadas e vaidosas em todos os sentidos: vestimentas, pele e cabelos. O conceito que tinha anteriormente era que as mulheres de São Paulo eram iguais às mulheres do Rio de Janeiro, usavam chinelo e short. Mas, ao chegar aqui, Nina se deparou com um universo feminino refinado. Acredita que isso, provavelmente, se relaciona ao fato de lojas populares, como C&A e Forever 21, trazerem coleções mais antenadas com a moda e a um preço mais acessível.

Nina em férias no Uruguai. Foto: acervo de família.

Além do trabalho, segundo Nina, as razões pelas quais ela gosta e permanece em São Paulo são, primeiramente, o desafio que a cidade impõe sobre as pessoas, de conhecê-la por inteiro, as possibilidades de crescer profissionalmente e economicamente, sem contar a pluralidade, que já é um marco da cidade. “ Você encontra de tudo.” Ela contou que voltaria para o Uruguai mais por uma questão de afeto e tradição, mas que seria difícil se adaptar novamente a uma cidade relativamente pequena, como Montevidéu, depois de viver em uma metrópole como São Paulo. “Eu gosto de cidades onde posso ir para os lugares de ônibus, de metrô, eu gosto dessa liberdade..

Quando foi perguntada se gostava da capital paulista, Nina disse: “Eu aprendi a gostar”. Segundo ela, no começo, a experiência foi desafiadora e assustadora, mas atualmente olha a cidade com uma visão mais crítica e já consegue transitar melhor. Mesmo assim, ela afirma que São Paulo possui muitas coisas que necessitam ser mudadas, já que em seu olhar a cidade parece estar abandonada em um certo grau. Já está inserida na rotina da cidade, ao ritmo que envolve os habitantes, de levantar e ir trabalhar, mas relata que não sentiu frieza por parte dos paulistanos, mesmo com todo o estresse da metrópole. Pelo contrário, eles foram bem receptivos. A diferença que percebeu foram as conversas entre as pessoas serem mais superficiais do que de costume no Uruguai. “ Lá se aprofundam mais as conversas.”

Uma das maiores saudades de Nina é de ter a família por perto, além daqueles amigos que a conhecem há mais tempo. Em relação a comida, ela disse que o doce de leite faz muita falta, e que é compra obrigatória quando viaja para o Uruguai ou algum familiar vem visitá-la “ É um tesouro, cada colherada é contada.” As frutas e a diversidade de comidas brasileiras chamaram muito sua atenção. “ Uma vez eu escutei que o Brasil tem catalogados 50 tipos diferentes de caju.” Disse que mata a saudade da terra natal com alguns produtos importados que encontra em um mercado da capital paulista.

O chimarrão é uma bebida típica do Uruguai e item fundamental na casa de Nina. No final da nossa conversa, ela fez questão de demonstrar como se faz essa bebida e explicar quais os costumes que a rodeiam. O chimarrão é servido em um recipiente específico feito de cabaça e forrado com couro, acompanhado de uma espécie de canudo de metal. A erva utilizada é, curiosamente, produzida no Brasil. O Uruguai não produz, mas é o consumidor número um desse produto. Coloca-se água quente e se toma como uma infusão. Ela explicou que os uruguaios ingerem essa bebida em qualquer lugar, e em rodas, ou seja, todo mundo compartilha do mesmo recipiente. Ao colocar a água, é necessário tomar tudo antes de passar para o próximo. Segundo ela, “para as mulheres é diurético, tira a fome e é estimulante, como a cafeína”.

Nina preparando o chimarrão. Foto por Marcelo Baboghluian

Passei na faculdade, vou morar em São Paulo. E Agora?

Almoço pra fazer. Cama pra arrumar. Roupa pra lavar, a louça, não se esqueça da louça. Corre, está perdendo hora e metrô pela manhã é uma loucura. Ai, não … chuva! Volta, pega o guarda-chuva. Putz, esqueci de tirar o congelado, frito um ovo hoje. Preciso voltar cedo, é meu dia de limpar o banheiro. Dor de garganta. Google: como fazer uma canja. Mercado. Carregar todas como sacolas sozinho … Alô, mãeeeee, me ajuda !!

Foi sobre isso que conversamos com cinco jovens, estudantes da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, em São Paulo: a realidade sobrepondo-se a expectativa de sair de casa. Como foram seus primeiros dias e experiência de enfim viverem sozinhos.

Https://www.youtube.com/watch?v=Lhv-In5KlnA&feature=youtu.be

Com a vida longe da família, uma responsabilidade de amadurecer triplica e apenas os corajosos enfrentam os obstáculos tirando uma lição de cada um deles. Afinal, são muitos os momentos bons que superam qualquer vontade de voltar correndo para debaixo das asas da mãe.

Https://www.youtube.com/watch?v=a-aJi3iZ_W4&feature=youtu.be

Em toda parte do Brasil, de norte a sul, há um vestibulando decidido a ir para a capital maior do Brasil: São Paulo. Com o sonho de passar na faculdade e sair de casa, devaneiam uma liberdade de voor rumo ao futuro com suas próprias. Porém essa experiência, definitivamente, não é apenas “flores”.

Https://www.youtube.com/watch?v=vO5NIrKaHFo&feature=youtu.be

A HISTÓRIA DE CORAJOSOS

Sair de casa e se mudar para um novo lugar e um desafio. Sair de casa e se mudar para São Paulo, uma maior cidade do país, e um desafio maior ainda. Entrevistamos três pessoas que passaram por essa experiência: Aaron Leite, Cícero Pereira de Souza e Roberta Brandalise. Todos os direitos reservados, hoje em dia, na capital paulista.

“UMA EPIFANIA”

Https://youtu.be/iHCkLjdtc5U — video

Aaron Leite, de 20 anos, tem uma história complexa. Nasceu na Venezuela, país que sofre com uma grave crise política e econômica. Filho de pais separados, veio ao Brasil morar com pai aos 15 anos, deixando sua mãe no país de origem devido à falta de condições financeiras. “Tive sorte de vir para cá, hoje não conseguiria devido a tamanha repressão que o país vem passando”, relata. Sua vinda foi por questões políticas e qualidade de vida. Mudou-se para São Paulo em busca de uma vida melhor e sobretudo de liberdade.

Como um “típico gringo”, acreditava que todas as cidades são iguais ao Rio de Janeiro, com praia e verde, além de que sejam pessoas preguiçosas e lentas. Entretanto, coloquem um São Paulo como as coisas são diferentes, como como se sentem vestiam e agiam. Logotipo dos usuários de um número completo de epifania, de “poder ser usado por quem é sem ser julgado”.

Sobre a saudade, sua resposta não foi sobre comidas ou família. Foi sobre sua infância. Como chegou com 15 anos, não compartilhamos os seus sonhos de novos amigos de escola. Viveu diferentes momentos que não faziam parte da memória coletiva dos adolescentes brasileiros, sentiu um certo distanciamento nesse aspecto. Quanto às dificuldades ou bullying, disse o maior desafio para com uma língua.

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Quando perguntado sobre como principais diferenças entre a cidade em que morava, Caracas, ea capital paulista, ele diz que são “absurdas”. Sua cidade natal, em sua visão, é um vilarejo e seu país do tamanho do estado de São Paulo. “Há logging em todos os aspectos e isso foi o que me deixou maravilhado. O tamanho de todas as coisas, uma infraestrutura para acomodar lugares, restaurantes com as mais diferentes comidas e como pessoas preocupadas com as vidas próprias, não com a minha. “Entretanto, temos uma visão diferente do que estamos acostumados. Como ele mesmo diz, “como pessoas aqui em São Paulo são estranhas”.

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Engajado politicamente, fala sobre uma atual situação política brasileira. Acha “inadmissível” o pedido de alguns brasileiros por volta da ditadura, afinal ele viveu no que considera uma. Conta que é o momento do lançamento ou do fechamento, realizado pelo governo, de uma grande emissora de televisão para o dia. A população, sem sentido, tentou se manifestar, mas foi fortemente reprimida pelo exército. Tudo isso é muito relevante, parte do princípio do que Aaron está cursando jornalismo e jornalistas em seu país não são bem-vistos.

Voltar a morar na Venezuela, para ele, não está nos planos. Disse que se for para sair de São Paulo para o sul do Brasil, mas não para Caracas ou qualquer outra cidade venezuelana. Primeiramente, por sua escolha de profissão, pois, segundo ele, para sua área de trabalho não é a cidade que oferece a oferta maior oportunidades que São Paulo. Também por talvez não consiga mais se adaptar ao estilo de vida da sua antiga cidade, já que se sente totalmente inserido no contexto brasileiro.

“TIPO MISSÃO IMPOSSÍVEL”

Cícero Pereira De Souza, um homem de 50 anos nascido na cidade de Crato, no Ceará, veio para São Paulo há 25 anos, a partir de um sonho. Com uma vida confortável na pacata cidade nordestina, não pensava em se mudar para São Paulo. Seu irmão mais velho já foi feito dessa edição. Certo dia ele teve um sonho, não qual algo que ele descreve como sendo Deus o chamava para morar na Terra da Garoa, que é uma missão para ele aqui. Só assim aceitou o desafio. E em pouco tempo deixou sua família e seguiu seu caminho.

Já em São Paulo, trabalhou em diferentes lugares. Hoje é porteiro de um prédio da região da Bela Vista e do seu trabalho, mas também conta com demorou pelo menos dois anos para se adaptar à vida paulistana. Fala muito sobre uma diferença entre como pessoas em relação a sua terra natal (“Lá as pessoas são mais amigas, se conversam, são como todos os irmãos do mundo.”). Em seus primeiros anos de São Paulo, sofreu muito com sua ingenuidade, entretanto, é o que é o que você faz, e por isso é uma questão de ainda mantê-la em muitos momentos. “Tenho conquistado muitas pessoas, quero mostrar algo para sermos mais unidos, conversar mais uns com outros.” “Eu estou procurando, em todo esse tempo que estou aqui, ser o que eu era lá.

Um dos relatos mais engraçados e comoventes que entre em contato com sua esposa e como línguas como mulheres paulistanas e cearenses.

Https://youtu.be/ZugG0P_bZOw — Vídeo

Quando perguntado sobre o retorno para a sua cidade, ele responde que, além da matemática de sua esposa, ele dependeria, de Deus, foi encontrado Ele que o mandou para cá. Sendo assim, seria Ele que tem que “autorizá-lo” a retornar. Apesar de que, com o dinheiro que tem hoje, tem uma descrição muito mais confortável não Ceará que em São Paulo. Entretanto, por enquanto está feliz com uma vida que constituiu e alega-se. Considera-se um paulistano nordestino, um homem ingênuo que vive sua missão impossível todos os dias.

“PLURALIDADE”

Roberta Brandalise é um daqueles casos comuns, entretanto diferentes. Nascida em Joaçaba, Santa Catarina, cidade de 35 mil habitantes, entrou na faculdade com 15 anos. “Entrei adiantada na escola e anos depois fui passada para uma sala seguinte, quando me mudei de Santa Catarina para o Rio Grande do Sul. Eu estou com 15 anos de ensino médio, entrando logo em me na faculdade”, explica, assim, o Motivo de tamanha precocidade. Para ela, essa antecedência é difícil, mas também um amadurecimento muito grande.

Veio para São Paulo em 2003, para fazer mestrado e doutorado na USP. Havia acabado de se formar em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria (RS). Enviou, sem maiores pretensões, sua monografia para a Universidade de São Paulo e quando foi aceita veio logo, deixando toda a sua família no Sul.

Com apenas 21 anos, sem conhecer ninguém em São Paulo, uma expectativa de sua vida. Julga ter se desenvolvido e aprendido a ser um “ser plural”, devido às suas vivências anteriores, mas também pelo contato com as mais diferentes pessoas da capital paulista. Toda essa cultura, estas tradições, estas novas experiências formaram uma Roberta de hoje.

Claro que toda uma mudança traz consigo novos olhares, e como principais termos que não estão dentro como cidades foram, primeiromente, o verde. Em Joaçaba ele é muito presente, pois a região é montanhosa e plena de folhagem. Depois, contou sobre uma diferença na convivência, uma forma como como pessoas tratam umas às outras.

Https://youtu.be/e_cH7H0zzGo — video

As pessoas são o que fazem Roberta continuar morando em São Paulo, mas também tem que ela mais tem saudade em relação ao Sul. Por isso, todo janeiro e julho, nas férias, ela volta para o aconchego da família. Apesar disso, não pretende retornar para residir lá. Ela se diz muito satisfeita com sua profissão de professora e seu estilo de vida, uma vez que não existe uma opção, caso seja uma grande oportunidade.

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