A insustentável satisfação do ser.

Olhando no espelho, Marina viu o reflexo de algo que a incomodava mas tambem confortava seus globos oculares. Não sabia exatamente se era a si que refletia ou se talvez fosse algo criado por sua mente, pois sabia que bastante do que vemos no espelho faz parte de uma construção mental daquilo que queremos ou não desejamos ver.

Mas o objeto reverberava algo sutil; leve aos seus olhos. Era como olhar a pintura célebre da artista que mais tinha apreço. Era algo refinado, feito para si. Ficou horas e horas admirando a fim de reter todos os detalhes para nunca mais esquecer do quão bela era aquela peça quase desenhada no vidro.

Marina, então, lembrou-se que a personagem que fitava à sua frente era ela mesma. Encheu-se de alegria e conforto, e foi quando percebeu que, a partir desta recente lembrança, nada mais a poderia destruir. Encontrou aquilo que todas tentam encontrar, mas, a cada passo largo, afastam-se do caminho.

Mas Marina conseguiu. Marina agora é livre.

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