A curiosa mania de contar estórias

Nós, seres humanos, temos esta estranha mania… Ou melhor dizendo, esta estranha necessidade de contar estórias. Qualquer coisa pode ser um pretexto para contar uma… Nós dançamos, cantamos, atuamos, escreve-mos e conversamos simplesmente porque queremos compartilhar com alguém, ou conosco, essa vontade.

Nossas brincadeiras de infancia eram repletas de estorinhas sobre como duas bonecas se encontram, a nova casa, uma corrida de carro. Tudo tinha um contexto. Quando crescemos cada vez mais nos apegamos as memórias e compartilhamos o que conhecemos.

E, não, isso não é coisa do século ~maravilhoso&diferentão~ que vivemos. É algo que está em nossa essência… Durante a Pré-História, um dos fatores que nos tornou tão diferentes dos outros animais foi desenhar tudo o que víamos nas paredes das cavernas. Ou seja, contar a nossa própria história nos fez humanos. Essa mania de tentar entender “o que que tá conteseno” que possibilitou a criação da mitologia, da religão, da filosofia e da ciência. Tudo porque queriamos contar a nossa própria história. Grande parte das nossas invenções(livros, jornais, televisões, rádios) partiram deste príncipio.

Porque será que isso acontece? Afinal de contas saber de uma estória ou outra não é algo necessário para sobreviver. De forma objetiva, nós precisamos apenas de água, comida e descanso para ter uma vida saudável. Mas, não queremos apenas uma vida saudavél… Queremos uma vida completa e muitas vezes as estórias nos proporciam isso.

Essa vontade de “ter uma vida completa” se tornou, aos poucos, algo muito maior do que tentar entender ou registrar o que acontecia à nossa volta… Tornou-se a vontade de criar estórias.

Não basta apreciar a beleza de um jardim, sem ter que imaginar fadas nele?

Douglas Adams

Essa pergunta do Douglas Adams é totalmente justa… Acabamos por descobrir tanta coisa do nosso mundo que tudo que é aparentemente impossível se torna interessante.

Passamos a distorcer histórias, para torna-las mais emocionante. Começamos a romantizar tudo… Quando somos crianças, idealizamos a vida adulta e ao nos tornarmos adultos passamos a competir para ver quem tem a vida mais perfeita nas redes sociais, quem teve os melhores momentos. Começamos sentir aquela nostalgia gostosa da infancia, mas nos esquecemos de seus pontos negativos… Queremos ser mais como personagens do que como pessoas. Queremos que toda a nossa vida siga determinado rumo e, mesmo se quisermos ter algum defeito que seja milimetricamente calculado para nos tornarmos personagens realistas.

Então, essa é a discussão que eu queria fazer… Essa romantização é algo ruim? Ou uma coisa boa? Pessoalmente eu acho que não é nem uma das duas…

Existem várias maneiras de dizer que isso é prejudicial. Por exemplo, uma pessoa pode acabar se machucando se idealizar algo que não é verdadeior. Mas, se a gente pensar um pouquinho essa ideia de fazer uma história com a sua vida é basicamente a mesma ideia que temos quando vamos ler: queremos escapar um pouco da nossa realidade( nem que seja para ir para um mundo distópico) e, ao mesmo tempo, queremos entender mais sobre o nosso mundo. E, ao enfrentar alegorias as coisas se tornam mais faceis.

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