
ELÍSIO MARQUES, HONRADO JUIZ DE DIREITO E COMUNISTA EXEMPLAR
A esquerda paranaense está de luto. Faleceu aos 71 anos, Elísio Eduardo Marques, estimado amigo por quem eu nutria admiração e respeito. Militante incansável do ideário comunista e dos direitos humanos, impressionava a todos que o conhecia pelo entusiasmo com que abraçou a causa que ele defendia com tanto ardor.
Fazia questão de participar com disposição ímpar dos eventos políticos que contribuíssem para o fortalecimento da democracia, da liberdade e da emancipação da classe trabalhadora. Uma faceta sua elogiável: sempre acreditou nas mulheres como combatentes leais e corajosas pelo ideal da Revolução Socialista e da Justiça Social. Uma vez, num dos nossos encontros na sede do Arquivo Manoel Jacinto Correia — Centro de Pesquisa e Documentação Social, afirmei que se o PCB tivesse em seus quadros dez Elísios Marques, a Revolução com certeza já teria acontecido. Ele rindo, respondeu de bate pronto: só cumpro com o meu dever revolucionário.
Testemunha ocular da história, o doutor Elísio Eduardo Marques, se destacou como guardião da memória de um dos episódios mais curiosos da história política do Estado do Paraná, a famosa GUERRA DO PENTE, estimulando e participando de debates, encontros e reuniões que resgatassem essa importante página das lutas populares da nossa capital.

Na sua trajetória de vida o camarada Elísio Marques foi tenente da Polícia Militar do Estado do Paraná, juiz de direito, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, do Centro de Letras de Curitiba, da Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos Inativos e Pensionistas (Amai), da diretoria da Associação dos Amigos do Arquivo Manoel Jacinto Correia, do Conselho Estadual do Idoso, da Comissão da Verdade e do seu, como ele gostava de afirmar, glorioso Partido Comunista Brasileiro — PCB, pelo qual, por indicação unânime dos companheiros foi candidato a deputado federal, senador, e Vice-Prefeito de Curitiba. Era um ferrenho torcedor coxa branca e adorava Curitiba, sua cidade natal.
Deixa viúva Silvia Maria Grácia Marques, duas filhas: Maria Letícia e Anna Elisa, e duas netas: Marianna e Gabriela.
Termino este artigo afirmando como eu gosto de falar ao tomar conhecimento do falecimento de um velho camarada: é a troca de guarda.