7, 4, 8.

Virou-se novamente para o lado
Era tão grande o seu enfado
Estava inquieta, desobediente
Quem viu sair só viu contente
Quem viu chegar somente sente
Não havia certezas como outrora pensado
Certamente outra hora seria mais do seu agrado

Estavam em crise, ela e o país
Estavam em chamas, ela e o passado
Estavam sós, ela e a verdade
Tão sós que era desconfortável

Ficou tudo tão inaceitável
Não se podia pensar no amanhã
A manhã, negra como o ontem fora
A noite, tão traiçoeira, nada prometia
Cabe em uma história mais de uma hamartia?
Onde é que está a certeza apaziguadora?
Tentei ler a sorte nos caroços de romã,
Tinha tão pouca que foi inviável.

Falsos lobos se digladiando no quintal.

Fechou os olhos.

7

4

8.

7

4

8.

7

4

8.

O que fazer quando é nas veias que o problema corre?

Caóticos, neutros, interessados no próprio umbigo.
Caóticos, neutros, incapazes de pensar além do próprio abrigo.

Será que o homem realmente é o lobo do homem?
Não seria o homem, o homem do homem?

Sequer posso reclamar se estou no meio disso tudo.
Se também me calo e deixo calarem.
Se também me afasto e deixo ficarem.
Se também me fecho e deixo chorarem.
Se quer, transforma. Certo?

"Força é mudares de vida."

Não pira,
Respira, respira.

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