Imensidão, escuridão, intuição
(para Ushi)
Tão vasta, suntuosa
e, por vezes, tão sutil
Devasta e aflora
Em cores, em anil
Com tato, tal qual fora
Contudo tão saudosa
Com tudo, com tão pouco
Embarcam todos, restamos…sós
Nós, há tantos para desfazer
Nós, tanto que podemos ver
Amarras insatisfeitas
Costuras por coser
Tão grande, sufocante,
Gigantesca e delicada
De muitas faces, brilhante
Onde encantos mil rodopiam
Em cantos, quinas e salas
Por corredores e esquinas
Quem vê passar abre alas
Quem sente a cor se fascina
Ante, bem como agora
Devora em sabor cintilante
Da noite, a brilhante aurora
Nada mais é do que um rosto
Por tantos rostos, com muito gosto
Portanto, flores, desaguem, peço
Vou abrir-me em mandalas
Vou mandá-las para ti
Zarpamos à meia-noite
Não se sabe quando tornamos
Não se sabe quanto entornamos
Mas cabe um pouco de tudo aqui
Não há grilhão, não há açoite
Da noite, o fim vem sem sangue
Há somente as correntes
Em que se vaga para a luz
Divago, e devagar, bem devagar
A vagar me deleito
Sem voltar, alço vôo
Me encontro onde te perco
Mergulho fundo na fonte do Sonhar
Direto, bem no limiar
Entre o escuro, o imenso e a ficção
Bem no estranho, no denso, na salvação