REAÇÃO EM CADEIA: qual será o cerne do problema da falta de segurança?

A segurança pública do país chegou há muito tempo no limite do descaso. A situação é tão crítica que em algum momento decidi me alienar: não assisto mais noticiários na TV, não escuto mais rádio, desvio os olhos das capas dos jornais e das manchetes do Facebook que diariamente anunciam crimes selvagens espalhados por todos os cantos do país.

O problema é que a minha estratégia deu errado, porque a realidade não está somente nas notícias, ela está colada na minha rotina. O perigo me acompanha quando eu abro o portão pra sair de casa, quando vou atravessar a rua, quando estou no supermercado, quando paro o carro no sinal vermelho. Todos os dias, assim como muitos de vocês, agradeço por ter voltado pra casa, por ter sobrevivido ao terror e à guerra que ronda a sociedade.

Ontem à noite, a notícia que chocou o Rio Grande do Sul foi o assassinato de uma mãe que esperava o filho sair da escola. Mais uma vez, as manchetes anunciavam outra vítima do caos da segurança no estado. Assim como essa mãe, outras tantas pessoas morrem diariamente não só nos bairros mais “visíveis”, mas também naqueles que muitas vezes são esquecidos por nós, cidadãos comuns que só querem um pouco mais de paz no viver.

O povo clama e ordena que o Governador do Estado José Ivo Sartori tome alguma providência imediata, enquanto o secretário de segurança pública pede exoneração do cargo. A população implora por justiça e pelo fim do pânico nas ruas. Só queremos exercer o nosso direito de ir e vir com tranquilidade e dignidade.

Estou junto nesse grito pela paz. Também espero que todos que governam de alguma forma esse país criem alguma solução para acabar com a violência. Porém, confesso que tenho um pouco de dificuldade de enxergar a solução desse problema. Sabem por que? Porque só se olha para a superfície do fato, ninguém olha para a raiz da ação. Só se pede que os bandidos sejam presos e que paguem pelos crimes que cometem e, de fato, isso tem que acontecer, já! Mas por que será que a cada dia, o número de criminosos aumenta? Por que as prisões estão abarrotadas de pessoas que cometeram algum tipo de crime? Por que os “ladrões de galinha” cometem seus delitos e ficam soltos, já que não tem mais espaço pra prender ninguém e a justiça opta em deixar os “menos criminosos” andando pela rua, repetido diariamente seus comportamentos violentos?

Eu não tenho conhecimento aprofundado pra declarar isso como certeza absoluta, mas arrisco dar um palpite: na maioria das vezes, tudo acontece numa REAÇÃO EM CADEIA. O índice de desemprego no país é altíssimo. Tem muita gente que vive com muito pouco. Quantas pessoas vivem em condições mínimas de sobrevivência? Que vivem diariamente sem água, sem comida, sem casa, sem saneamento básico, sem qualquer cuidado com a saúde? Quantas pessoas não têm acesso à educação? Quantas crianças têm suas infâncias interrompidas por que precisam pedir dinheiro ou trabalhar pra tentar sobreviver com o mínimo de dignidade? Quantas delas têm como exemplo de quem dá certo na vida aqueles que vivem para o tráfico e estão ali, matando, diariamente? Falando em tráfico, vamos lembrar também do pessoal da classe média/alta que tem tudo isso e, mesmo assim, opta pelo crime.

Eu clamo por mais segurança, mas eu clamo também que os nossos olhos busquem entender e agir na raiz do problema. Eu clamo para que o Governo tome suas atitudes, mas também suplico que nós, como cidadãos ativos e também responsáveis por essa sociedade, olhemos sim para os nossos direitos, sem esquecer dos nossos deveres. Eu quero que os criminosos paguem pelos seus atos, mas mais do que isso: desejo que o número de crimes seja muito reduzido e que sobre espaço nos presídios do país.

Somos um só lutando pela mesma causa. Eu luto pela segurança, pela saúde, pela educação, pela dignidade humana e pela redução da desigualdade social. Que todos façam a sua parte para que chegue o glorioso dia em que o direito de ir e vir e de viver seja exercido com liberdade, em paz, por TODOS NÓS.

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