A vida para ser vivida agora.

Nos últimos dias, recebi uma enxurrada de informações simples e sutis, mas não menos relevantes do que grandes chacoalhadas, porque foram capazes de provocar verdadeiras revoluções em mim. Chamo isso de sincronicidade: os sinais que pedimos à vida, nos são devolvidos com uma série de conexões entre pequenos atos que buscamos e fazemos no nosso dia-a-dia, mas que, para percebê-los, precisamos de atenção.

Atenção no aqui e no agora. A vida é hoje. Essa foi uma das armas que recebi nessa revolução. Presos ao passado, ao pretérito perfeito ou imperfeito, às coisas que tiveram começo, meio e fim, que aconteceram, mas não acontecem mais, amarramos as nossas asas como um pássaro em gaiola. Quem fica preso no que já foi, não pode voar naturalmente ao que será. Claro, não estou dizendo aqui que devemos desconsiderar o que vivemos. Nossas experiências passadas formam uma espécie de mapa no nosso cérebro e cada uma representa um território conquistado. São esses territórios que nos permitem ter a percepção de realidade atual, mas é preciso conquistar novos espaços e expandir o nosso mapa para não criarmos regras para a vida e nem generalizarmos os resultados das nossas decisões, sempre baseado no que já foi. E, para isso, é preciso abrir a cabeça.

Abrir a cabeça muitas vezes significa sonhar. Sonhar é pensar no futuro, no que posso fazer amanhã, como quero estar daqui um, dois, cinco, dez anos. As conquistas que quero conquistar, as viagens que quero viajar, os amores que quero amar. Sonhamos e planejamos o amanhã com a poesia de quem espera um dia viver na plenitude, de quem deseja ser feliz, amanhã. Por que não hoje? O que te impede de viver teus sonhos agora?

Para alimentar esses sonhos, existem pílulas milagrosas que prometem um mar de certezas e definições de algo que ainda está por vir. Estratégias bem vendidas nos trazem a ilusão de que se bebermos a porção mágica, seguirmos à risca as indicações da bula, ganharemos o controle-remoto da vida. Somos tomados diariamente pela ilusão de que podemos controlar o que vivemos e, especialmente, o que está por vir. Ter essa certeza ilusória é um fio condutor de esperança, que é logo cortado quando o inesperado se apresenta.

Nesse vai e vem, conjugando o verbo viver sempre no pretérito ou no futuro, deixamos passar o sopro da vida que acontece exatamente nesse instante. Limitamos nossa visão, esquecemos que a estrada vai muito além do que podemos ver. O verbo viver precisa ser conjugado no presente. É somente aqui que podemos fazer da vida, a vida que sonhamos. A vida pode não ter receita para o dia de amanhã, mas escolhi para hoje alguns ingredientes:

  • Entregue-se de coração e com atenção;
  • Não julgue, nem a si próprio, nem ao outro. Apenas acolha o que vier.
  • Esteja pleno em cada momento do dia;
  • Desconecte-se. Não seja escravo do celular. Recrie outras redes de convívio social;
  • Dedique 100% da atenção dos seus ouvidos à alguém que necessita de escuta;
  • Olhe nos olhos quando falar com alguém. Muita coisa não dita verbalmente se revela quando nossos olhos olham em plenitude para o outro;
  • Faça silêncio. Tenta desligar os barulhos externos pelo menos cinco minutos do teu dia. Músicas internas te embalarão de uma forma diferente depois desse instante;
  • Deixa as avaliações de lado sempre que puder;
  • Permita-se ser quem você é de verdade;
  • Comece devagar aquela novidade que te dá medo. Não importa o ritmo, importa o começo;
  • Percebe a vida com atenção;
  • Esteja no espaço infinito do agora, colada no momento presente;
  • Crie com o acaso, ele é seu amigo.

A melhor fatia da vida está aqui, pronta para saborearmos: chama-se hoje. Portanto, viva oque deve ser vivido agora, que o amanhã lhe presenteará com saborosos pedaços de uma nova oportunidade de viver novamente, no infinito instante que se chama presente.

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