Black Mirror - como 10graçar a cabeça de um jeito bom!

Zapeando pelas redes sociais hoje, vi um burburinho rolando a respeito do trailer da 3º temporada de Black Mirror, como eu não conhecia a série, a curiosidade bateu e corri pro Netflix pra dar o play, na promessa de só continuar assistindo se o primeiro episódio me surpreendesse. Não só me surpreendeu como me fez vir aqui escrever sobre.

A série não é nova, estreou em 2011 mas no catálogo da Netflix aparece desde 2014. A ideia de assistir apenas um episódio para ver se valia a pena não adiantou já que cada episódio conta uma história diferente e independente uma da outra, nem precisa ser assistida na ordem, a única coisa que une todos os episódios é a premissa de falar sobre como a tecnologia está se apossando dos mais diversos aspectos da nossa vida.

Cada episódio é como um soco no estômago, o futuro confrontando o presente, é se remexer desconfortável no sofá ao pensar que não estamos tão distantes assim de tecnologias mirabolantes como o do episódio “Volto Já” onde uma mulher usa um serviço que mapeia todas as interações online do seu falecido marido criando um boneco do próprio.

Martha com seu marido versão robô.

Ou quando o nosso voyeurismo digital é confrontado no episódio “Hino Nacional” onde um terrorista usa as redes para forçar o primeiro ministro a transar ao vivo em rede nacional com uma porca até as 16hs do dia, caso contrário irá executar uma princesa sequestrada.

A princesa sequestrada chorando e o trending topics bombando.

O episódio mais perturbador pra mim até agora foi o “Urso Branco” que conta a história de uma mulher que acorda sem memória e a medida que ela sai da casa e tenta pedir ajuda se depara com dois tipos de pessoas: as que estão munidas de celular e as que estão munidas com armas e tentam mata-la. O desfecho dessa história me deixou meio desgraçada da cabeça, confesso rs, e eu ainda estou muito pensativa sobre ele , principalmente sobre a questão dos “justiceiros da internet”, afinal o celular também pode ser uma arma, certo?

Ai que aflição gente, pára de filmar e ajuda a moça!

Eu que vivi na era pré-internet, ainda me espanto ao comparar como era a minha vida off-line nos anos 80 e 90 e hoje em dia com todo o acesso a informação na ponta dos dedos e diante dos espelhos negros — smarthphones, tablets, TV’s — que é da onde vem o nome da série. É quase impossível imaginar como seria minha vida off line agora, sem as facilidades que a vida online proporciona, e este, acredito é um dos plots da série, nos mostrar que mesmo com toda tecnologia, continuamos humanos falhos em nossa essência, não é ela a vilã, mas sim a forma como nos relacionamos com ela.

Talvez se eu tivesse assistido Black Mirror em 2011 eu diria que os temas abordados eram distópicos demais, mas em 2016 eu penso que muito do que a série mostra já está aí, como por exemplo a nossa forma de interagir e dar opiniões o tempo todo nas redes sociais, as exposições nos reality shows, a forma como decidimos por meio de votações online, a preocupação com a popularidade, os memes, como expomos a parte “boa” da nossa vida por meio de fotos, a privacidade, ou a falta dela, os apps, a publicidade pipocando em cada página… ufa! São tantas coisas que fizeram a nossa vida online se fundir com a off-line. O grande porém é que mesmo com toda a evolução da tecnologia, existe um ser humano interagindo ali, e ele continua o mesmo, com seus medos e anseios, com suas fragilidades, sendo influenciado pelo consumo exagerado, muitas vezes compartilhando o ódio, falta de empatia e sentimentalismo. A série coloca justamente uma lupa em cima da relação do ser humano vs. máquina.

O que mais me surpreendeu em Black Mirror é a forma com que ela nos cutuca, incomoda e bota para refletir. Algumas das histórias dariam um filme inteiro, que foi o que fez o ator Robert Downey Jr ao adquirir os direitos do terceiro episódio da primeira temporada, “Toda a sua história”, episódio este que ainda não assisti, talvez seja o próximo, não sei. Talvez eu só esteja assistindo aos poucos sem pressa, pra ter tempo de digerir.

Ainda bem que vem aí a terceira temporada, mas pra quem ainda não assistiu e ficou curioso, deixo o trailer da primeira:

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