“12 anos de escravidão” (EUA/Reino Unido, 2013)

Laion Castro
Apr 17, 2017 · 2 min read

[Resenha] Drama histórico do diretor britânico Steve McQueen retrata episódio marcante do regime escravocrata na “Terra da Liberdade”

Solomon (Chiwetel Ejiofor) abraça Patsey (Lupita Nyong’o). Fonte: Fox Searchlight.

“12 anos de escravidão” narra a verídica história de Solomon Northup, homem livre norte-americano que é raptado e vendido como escravo, condição na qual é obrigado a viver por 12 anos. Afastado de sua família, de sua profissão e de sua cidade, Solomon experimenta intensamente os horrores do regime escravagista norte-americano, que em larga medida era idêntico ao do restante do mundo Atlântico.

Capítulo peculiar na luta dos negros por liberdade nos EUA, a história de Solomon (que se tornaria um abolicionista, após retomar sua vida) é um emocionante testemunho de resistência contra um sistema criminoso e desumano que por tanto tempo perdurou, com o apoio do Estado e da Igreja, especialmente em nosso continente.

A interpretação de Chiwetel Ejiofor é magnífica, na medida em que acerta no tom ao dar voz e movimento a um homem sensível, resiliente e obstinado. Destaque ainda maior merece Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar® de melhor atriz coadjuvante pelo papel da jovem Patsey, personagem que encarna a tripla exploração sofrida pelo corpo negro feminino: a mercantil, que o converte em mercadoria; a laboral, que lhe impõe a condição de mão de obra compulsória; e, por fim, a sexual, que lhe toma a força por objeto de prazer.

Como não poderia deixar de ser, trata-se de um filme muito dolorido de se ver, mas isso não nos impede de encontrar beleza em alguns de seus retratos, especialmente nas passagens em que os negros entoam seus cantos de luto e labor. Foi assim que surgiu o gênero musical que conhecemos como blues.

Laion Castro

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Bacharel em Letras pela FFLCH-USP e graduando em Ciências Sociais na mesma universidade. Falo sobre política, cinema, literatura, futebol e outras milongas.