O Administrador e o Educador.

Qualquer mês do ano (dia ou hora, não sei) é uma bela oportunidade de debatermos acerca do papel do Administrador. Mas, talvez, até mais que em setembro — comemorado formalmente a existência da ciência administrativa (2015 foram 50 anos!) — outubro é oportuno para discutirmos sobre o fator educação/aprendizado nas organizações, cujo mês nos brinda com o dia do Educador, ou Professor, como muitos queiram.

Curiosidade ou talvez simplesmente por acreditar que toda e qualquer organização precisa dominar a apropriação e a disseminação de conhecimento (não a gestão da informação em si, mas a mudança das pessoas com esse conhecimento) — debruço ao qual papel nós, administradores, estamos submetendo o time e os recursos, já que a identidade da própria profissão é paradoxalmente nebulosa.

Portanto, uma pergunta: O Administrador, necessariamente, deve ser Educador?

Se sim, um ponto de partida importante para o debate seria sobre a perspectiva do encontro/composição de conhecimentos entre profissões, no qual o fluxo é latente e não é de hoje. A Administração, filha da Engenharia, a Nutrição com a Educação Física, etc. A rigor técnico, essa complementação é vital, uma vez que a interdisciplinariedade catalisará a formação do contexto (todo) à execução (prática do conhecimento). Essa concepção leva-nos a imaginar um modelo ideal a unir Administração e Educação, tipificado por três pilares.

Quando falamos em Educação e Negócios, o papel do Administrador geralmente é delimitado ao enriquecimento técnico de pessoas. Esse é o primeiro pilar. O aprimoramento de competências é sem dúvida importante e consequentemente atende, pelo menos preliminarmente, ao tratamento de demandas e problemas internos, o que não foge muito de qualquer cotidiano organizacional. Mas, insuficiente.

O segundo terço é a formação de propósito. Não adianta imaginar propósitos sem saber onde, como e o porque das coisas acontecerem (conhecimento técnico). O propósito é a característica mais complexa dessa fração, muito em consideração as diferentes personalidades (não perfis) das pessoas. Empresas normalmente tratam (tentam) a personalidade dos indivíduos, no qual deveria se atentar antes de tudo ao direcionamento da internalização das suas políticas/valores, mesmo embora a personalidade de uma pessoa seja melhor evidenciada (seja por atitudes ou experiências — o que torna o trabalho mais difícil). Isso tudo acaba virando uma confusão gigantesca.

Perfil é o contorno comportamental esperado do time, delineado pelas políticas organizacionais. Propósito é o desígnio (intenção, objetivo ou intuito compartilhado). Se realmente uma empresa adota sistematicamente políticas e valores à desdobrar-se linearmente pela organização, as chances de internalização do propósito acreditado (e não negociável) por todos alcança patamares notórios.

Talvez esse segundo terço tenha aprendido de maneira mais plena no meu envolvimento no Movimento Empresa Júnior.

O último terço é formado pela Coerência das Ações, que é uma das diversas vertentes da Liderança. James Hunter, no famoso “De Volta ao Mosteiro” afirma (através das personagens), que “ …Basta pensar em todas as pessoas que exerceram influência sobre nós durante a vida: pai, mão, avós, irmãos, demais parentes, professores, vizinhos, amigos colegas de trabalho. Para mim, é uma lição de humildade pensar em todas as pessoas que me influenciaram ao longo da vida. Por isso, uma pergunta importante para o líder: Você deixa as pessoas e organizações em melhores condições do que as encontrou?”

A frase em destaque na sentença entre aspas é a que mais me marcou durante a leitura, de longe.

Escolhi essa citação por duas indagações: Primeiro, se você é líder e tem uma mente voltada para o futuro e para as pessoas, suas ações ultimamente estão conectadas de forma coerente ao que você sonha?

Segundo: Se sim, essas ações são favoráveis à pessoas e negócios?

O terceiro pilar é, talvez, o que torne tudo o que foi dito acima real, sólido e sustentável.

Esses três pilares, talvez, tenha potencial de munir e dotar o Administrador enquanto potencial Educador, porque o Educador pensa sempre em mudanças. Todo o processo descrito acima, querendo ou não, se torna um processo de mudanças (em todos os sentidos).

A visão do texto é essencialmente empírica e temo que traga erros e incoerências teóricas. Contudo, é o que de melhor pude entender a partir de experiências sobre o tema específico.

“ A tarefa do educador moderno não é derrubar florestas, mas irrigar desertos.”
C. S. Lewis.

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