Após denúncias, Geddel pede pra sair

Queda do ministro da Secretaria de Governo de Temer abre crise retoma fantasma do impeachment na presidência.

Meme: Mídia NINJA

O Ex-Ministro da Cultura, Marcelo Calero, disse em depoimento à Polícia Federal ontem, 24, que Michel Temer o “enquadrou” para que liberasse prédio bloqueado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em que o também ex-ministro da Secretária de Governo, Geddel Vieira, tem apartamento, na cidade de Salvador. Justificando a ação, Temer, segundo Calero, disse “que a política tem dessas coisas, esse tipo de pressão”.

A declaração de nove páginas concedida à PF narra como se desenrolou o processo que levou Calero à demissão do cargo que ocupava a pouco mais de quatro meses. Ele conta em detalhes que Geddel Vieira o pressionou para liberar a construção do prédio por diversas vezes, ainda que o laudo técnico do IPHAN proibisse. O articulador político de Temer no congresso chegou a pedir a “cabeça” da presidenta do órgão, Kátia Bógea.

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“E eu que comprei em andar alto, como é que fico?”, questionou Geddel à Calero em uma das inúmeras ligações de cobranças realizadas pelo ministro a respeito da sugestão feita pelo IPHAN para que o prédio fosse menor do que o pretendido, que era de 30 andares pelo projeto inicial.

Calero ainda fala que, um dia após essa conversa, Geddel ligou novamente cobrando o ex-Ministro da Cultura, dessa fez da forma mais acintosa que “não gostaria de ser surpreendido com qualquer decisão que possa contrariar os seus interesses”.

Geddel é um dos “palacianos” e incumbido de articular o Congresso para a aprovação da PEC 55, ou seja, parte da cúpula de Temer no Executivo.

O presidente ilegítimo, após “enquadrar” o ex-ministro, colocou o Secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, para tentar levar o caso do prédio para a Advocacia Geral da União, de forma a judicializar o processo e conseguir o tão desejado prédio de 30 andares de Geddel. Essa foi a gota d’água para a demissão de Calero do cargo, que ocorreu no último dia 18 de novembro.

Reação

A oposição diz que há conflito de interesses no caso, e que Temer ter saído em defesa de Geddel para liberação do prédio representa crime de responsabilidade, sendo assim, passível até mesmo de impeachment.

“Um presidente da república reuniu seu ministro da cultura para pressionar e favorecer um grupo econômico, uma empreiteira da Bahia. É um escândalo. Eu fico pensando o que ele está fazendo em outros ministérios, o que está fazendo com a questão do pré-sal, por exemplo […], o fato é que ele cometeu um crime de responsabilidade, fez tráfico de influência […] nós já estamos elaborando aqui um pedido de impeachment, porque o fato é muito grave”, afirmou o senador Lindinberg Farias (PT/RJ) em vídeo gravado para Jornalistas Livres.

Confira o texto integral do depoimento de Marcelo Calero à Polícia Federal:

Publicado Mídia NINJA