Como jovens da Brasilândia vem inspirando economia solidária no dia a dia

Texto: Gabriele Candido e Laio Rocha, Fotos: Mídia NINJA

O bairro da Brasilândia, Zona Norte de São Paulo, recebeu ontem (5) no Centro de Juventude, feira com a temática da Economia Solidária. Foram realizadas oficinas de grafitti e apresentações de música, dança e teatro para crianças de 12 a 15 anos, e moradores da região venderam comidas e artesanatos.

A iniciativa procura apresentar aos jovens conceitos da Economia Solidária a partir da valorização dos comércios locais em uma rede que procura beneficiar a população do bairro. Estiveram presentes no evento os CJs Jardim dos Francos, Tijolinho e Nossa Senhora do Ó, todos na Zona Norte da capital.

“Essas atividades plantam uma semente na vida desses jovens e mostra que é possível trabalhar em algo que te dar prazer, não somente pela remuneração”, afirma Renata Naus Tortolano, 34, gerente do Centro de Juventude Tijolinho.

Vitor, 15, morador da Vila Zati, próximo ao local, participou da oficina de teatro pela primeira vez na feira. “No começo não me interessei por economia solidária, mas depois curti muito porque houve um grande incentivo para eu continuar”, afirmou. Sobre as aulas de teatro, disse que pretende continuar. “Nunca me imaginei fazendo teatro, mas gostei muito”, completa o jovem.

O mesmo aconteceu com Larissa, 14, do CJ Tijolinho. “Essa foi minha primeira apresentação, estava muito nervosa, nunca me imaginei cantando para meus amigos”. Questionada se continuaria cantando, timidamente respondeu sorrindo: “Acho que sim”. No repertório estava, por exemplo, a música Bang, da cantora Anitta.

“Esse evento tem o objetivo de atingir a comunidade com os elementos da economia solidária para os jovens, e também de mostrar o que é um Centro de Juventude”, explica Vivian Kelly Alves, 30, gerente do CJ Jardim dos Francos.

Próximos passos

Outros nove eventos com a mesma temática serão realizados até o fim do ano em todas as regiões da cidade. O próximo será no dia 11/11 no bairro do Varginha, extremo sul de São Paulo, também com a produção da Percurso Produções e da Secretaria de Assistência Social do Município.

No entanto, uma agenda paralela começou a ser formar a partir da experiência dos Centros de Juventude que participaram pelo projeto de economia solidária. Exemplo disso é a união dos CJs para construção de forma independente seus próprios eventos.

“O desenvolvimento das atividades, as oficinas de teatro, grafite e teatro, e o link com a economia solidária é uma forma de também desenvolver o potencial dos jovens desse território”, afirma Paula Roberto Souza, 42, gerente do CJ Nossa Senhora do Ó.

Em seu CJ, localizado no bairro de Freguesia do Ó, Zona Oeste. No próximo dia 18/11 eles realizarão junto à outros 11 Centros de Juventude grande feira de economia solidária.

“É dessa forma que vemos como o projeto está dando certo, com a articulação independente dos envolvidos, que identificamos a sua importância e o seu sucesso”, afirmou Eneida, produtora do evento.