Economia solidária é tema de feira na periferia de São Paulo

Fotos: Mídia NINJA

Os jovens do bairro do Varginha, região do Grajaú, extremo sul da cidade de São Paulo, participaram de atividades com a temática da economia solidária no último dia 5, encerrando ciclo de oficinas de graffiti, dança e design que durou cerca de dois meses e contou com a participação de 150 adolescentes.

Os estudantes realizaram performances de dança e teatro, que chamam atenção para à questão da cultura do estupro. Além disso, pessoas da comunidades apresentaram peças de artesanato, comidas e roupas de fabricação caseira.

“São oficinas muito importantes para os jovens, tanto que eles já trabalham agora com o tema de empreendedorismo, e vai agregar muito valor para eles, pois podem trazer isso para a comunidade e terem o próprio negócio”, afirma a educadora Edilane, 28. “Isso vai dar um norte para eles”, completa.

Foram oferecidos corte de cabelo, manicure e pedicure gratuitos pelos estudantes de beleza estética do Instituto Anchieta, Centro de Juventude que integrou o evento. Por fim, houve apresentação do rapper MC Luiz Semblantes, que fechou as atividades com poesia e música para a garotada.

“Estamos aprendendo e ao mesmo tempo ajudando as pessoas. A gente leva nossos modelos para o curso e chega aqui para fazer na prática o que conhecemos nas aulas. É o que eu pretendo fazer da minha vida”, afirmou Natália, 17.

A gerente do espaço, Antônia, diz que o evento foi um sucesso, e que para além delas, existem programações semanais, destinada a jovens de 12 a 15 anos, socioculturais, esportivas e profissionalizantes, que garantem um certificado que ajudam esses adolescentes a entrarem no mercado de trabalho.

“Com as aulas de economia solidária, a gente conseguiu levar estrutura para os outros jovens que fizeram o curso e dar oportunidade para abertura de um negócio, pensando na economia solidária e como podem se ajudar mutuamente”, comenta a educadora Andreia, 33.

Construção das oficinas e adesão dos adolescentes

A iniciativa traz para os jovens, todos moradores da região do Grajaú, capacitação nas áreas diferentes do conhecimentos, como graffiti e design, que tanto procuram gerar uma demanda na economia local, dessa forma construindo a chamada economia solidária, como desenvolvendo as habilidades dos estudantes.

“Através desse conhecimento eu consigo unir duas coisas: o desenho e o webdesign, e facilitou muito a minha vida. Pretendo fazer faculdade de arquitetura, e sei que isso pode me ajudar no futuro”, conta Mateus, 17.

A escolha da oficina de graffiti se deu a partir da observação do educador Jefferson, 30, que notou a carência daquela região específica do bairro em relação à arte urbana. Em parceria com a Secretária Municipal de Assistência Social e com a ONG Imargem, os jovens pintaram nos muros do espaço e realizaram passeios por áreas turísticas relacionadas à pintura urbana, como o Beco do Batman, na Vila Madalena, zona oeste da capital.

“Os jovens tiveram, a maioria deles, o primeiro contato com o spray. Eles viam a arte na rua mas não conseguiam enxergar como arte. […] Acredito que todo o conhecimento que eles aprenderam nas oficinas, vão levar para toda a comunidade”, analisou o educador Jefferson.