Querem fechar a praça Roosevelt

Por Laio Rocha e Marcelo Rocha

O Projeto de Lei número 421/2016, de autoria do vereador Eliseu Gabriel (PSB/SP), tem a intenção de cercar a Praça Roosevelt, no Centro de São Paulo, um dos principais destinos de jovens na região. De acordo com o parlamentar, “a praça está hoje totalmente degradada, com pichações, tendo se transformado em local de consumo de drogas e vandalismos de toda espécie”. A ideia é transformar o local em parque, cercá-lo e definir horário de abertura e fechamento.

Reinaugurada em setembro de 2012, após dois anos fechadas para reformas, a praça Roosevelt tornou-se ponto de encontro de skatistas e frequentadores dos bares, teatros, baladas ou mesmo das escadarias do local, em que muitas pessoas se concentram durante a madrugada e ambulantes circulam vendendo comidas e bebidas.

Marta Lilia Porta, presidenta da AMACON (Associação dos Moradores e Amigos do Bairro da Consolação e Adjacências), é a favor da medida:

Desde a reforma da Praça vocês viram seu sonho de uma Praça linda e frequentável se converter em um pesadelo de incomodidade sonora, em todos os dias e horários, com seu direito ao sossego durante a noite e nos fins de semana sistematicamente e constantemente desrespeitado.

Já o jornalista Eduardo Nasi, que mora em frente à praça, discorda:

Fechar a praça piora o problema de segurança. Com ela fechada, a rua pode virar um corredor de assaltos e arrastões, essas coisas que infelizmente ainda acontecem no centro das grandes cidades.

Em recente artigo sobre a proposta, a urbanista Raquel Rolnik afirma que cercar com cercas ou com muros não é a resposta para combater o problema entre moradores e visitantes de outras regiões da cidade.

“Na medida em que você tem uma incapacidade de resolver uma questão através de um processo de gestão que possa trabalhar com a diversidade, com o diferente, com as distintas opiniões e construir uma equação para isso, se constrói um muro, uma cerca, se impede o acesso”.

O barulho

A principal reclamação realizada pela AMACON é sobre o barulho decorrente do trânsito e da concentração de pessoas pela praça durante a madrugada. Tanto é que, os bares da região foram em sua grande maioria multados, chegando até mesmo ao fechamento do teatro Parlapatões, em novembro de 2015, após multa através da Lei do Psiu.

“A questão acústica da Praça Roosevelt é antes de tudo uma falha do atual projeto que foi inaugurado em 2012. Não houve estudos aprofundados antes da execução do novo projeto e responsabilidade técnica no atual projeto já que ele poderia ter resolvido ou minimizado esse problema do barulho. Soluções existem, mas têm que ser pensadas”, argumenta o arquiteto e urbanista Augusto Aneas.

Corrente Contrária

Após a divulgação do PL, um grupo de moradores, skatistas e trabalhadores dos bares se reuniram para articular uma resistência. De acordo com Bruno Gomes, um dos ativistas pela manutenção da praça aberta, a principal preocupação do grupo hoje é divulgar para todos o que está acontecendo. Para tanto, foi criada uma página no Facebook e uma petição online.

Além disso, reuniões estão sendo realizadas para debater o projeto, com participação do conselho participativo da sub-prefeitura da sé e do autor do PL, Eliseu Gabriel. Até o momento seis debates foram realizados na própria praça Roosevelt.

Confira o texto e a justificativa do Projeto de Lei.

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