Outubro de 2011
Já passava das 19:00 horas e eu estava atrasada para a minha caminhada diária. Maceió-AL estava linda naquela noite, apesar de ter chovido, o céu já estava limpo e a noite fresca, diferente do clima abafado de quase sempre.
Eu sempre gostei de caminhar ouvindo música, fazia o tempo passar mais rápido enquanto eu imaginava um clipe em minha cabeça para cada uma das faixas, e naquela altura eu já me encontrava em um nível mais avançado, estava conseguindo correr a cada o que.. 300 km?? hahaha
Então eu me desafiava a correr o tempo em que a música durasse. Naquela noite foi assim, até o momento em que fiz check-in no chão.
Algumas pessoas foram até a cena onde um king kong tinha acabado de nascer para me ajudar, e eu não sabia se gargalhava, ou se me levantava como se nada tivesse acontecido. Optei pela primeira opção, foi quando percebi que havia torcido o pé. Ótimo!
Liguei pra minha mãe perguntando se ela podia me buscar, mas ela não pode.
Voltei pra casa mancando e vida que seguiu. Superei o mico, mas o meu joelho não superou a queda.
Lembro que durante os dois meses seguintes fiquei com dor, mas não levei a sério. Como eu disse, foi um tombo e tanto, me pareceu normal doer, essas coisas levam tempo pra sarar. E no final daquele período eu e minha família percebemos que estava levando tempo demais. Eu estava caindo mais que a Mirela Santos na Sapucaí, comecei a mancar, minha coxa deu uma leve afinada, meu joelho ficava vermelho e quente uma vez ou outra e as dores não passavam enquanto eu não tomasse um coquetel de dipirona e dorflex. E até hoje eu não sei se passava mesmo ou se eu entrava em coma.
Então, antes tarde do que nunca procuramos um médico !
Minha mãe é vendedora na área médica desde que me entendo por gente, e graças a isso ela conhecia um número considerável de doutores, coincidência ou não, a grande maioria era ortopedista. Alguns chamam de sorte o fato de que na época ela estava trabalhando justamente com o melhor especialista no meu caso do Nordeste, eu prefiro chamar de Deus mesmo.
Minha mãe ligou pra ele e explicou o que estava acontecendo, então ele pediu que eu fizesse um raio-x e fosse encontar com ele assim que estivesse pronto. Quando minha mãe pegou o resultado com o laudo é claro que ela leu, e quase teve um infarto porque o mesmo dizia que eu estava com uma fratura. Ela ligou para o Dr. na mesma hora e quando disse o que tinha acabado de ler ele perguntou: "Mas ela esta andando?"
Consigo ouvir minha mãe gritando: "Estaaaaaaa!"
Mais tarde naquela mesmo dia estávamos a caminho do hospital, minha mãe, eu e meu padrasto. Eu estava levando tudo na brincadeira, afinal, o que de tão grave poderia ser?
Dr. Rafael Kenedy era um amor, simpático, gostei dele logo de cara. O que eu não gostei foi da cara que ele fez quando viu meu exame e chamou minha mãe pra fora da sala com uma desculpa ridícula qualquer, era tão ridícula que nem me lembro qual era. Meu querido, eu tinha 16 anos, não 6, tá ??
Depois eu não o vi mais naquele dia. Minha mãe disse que ele foi chamado na emergência e que podíamos ir embora.
Não me lembro de ter ficado perguntando pra ela o que ele havia dito. Mas lembro que nunca tinha visto minha mãe tão pálida como naquele dia.
Saímos do hospital mudos e entramos no carro calados.
Então, malandramente, a menina inocente... Brincadeira!
Enfim, eu fingi que dormi pra ver se conseguia descobrir alguma coisa com os dois conversando.
E não é que deu certo ?
Eu estava com um tumor no fêmur, próximo ao joelho, mais conhecido como osteosarcoma !
Agora me digam... foi ou não foi um tombo e tanto?
