jantar
_Hum. _ diz ele anunciando sua fala entre um penne e outro_ Comprei um anel para você.
Ela levanta as sobrancelhas e indaga “Anel?”
_É. Um tipo de jóia que se põe no dedo_ uma piada sem sentido_mas eu não vou te dar_completa o homem.
_Porque não?_ no fundo ela pensa, o porquê ele anunciou que ia se não tinha a intenção de faze-lo…
_Porque você vai aceitar mas não vai fazer do jeito certo, não vai falar a coisa certa, e nem agir do jeito que você deveria.
Os talheres escorregam da mão dela, e um olhar fixo e risonho sai do seu olhar. É complexo o pensamento, apenas o gesto da olhada era muito claro pra ele que a via.
E ela diz: _ O que eu devia responder agora? Não sei o que falar. Eu nem sei o que você quer ouvir. E como é que você tem a prepotência de adivinhar? _ Num tom tão suave quase uma brincadeira.
Ele ri.
_Ué, eu só sei. Eu queria mesmo que fosse muito claro de enxergar sem muros e sem caixas o que eu posso dar. E quanto você aceitasse diria: eu assumo. Eu quero, eu te garanto, você não precisa mais do abrigo na loucura, tem a mim. _ um engasco. E ele continua. _ Mas não dá pra hipotecar caráter, nem amor …
Então ela olha, mais fixamente. Engole um suspiro, um choro, uma vela, um trem, um esôfago, três besouros, meio macaco, e diz:
_Eu te amo. Mas nessa história, eu não posso te dizer nada disso. Escute bem ao pé do ouvido o meu maior segredo:Eu sou a mulher. Eu sou apenas a mulher.Eu sou toda.