Você pula, eu pulo!

E ser der medo, vai com medo mesmo.

Nunca fui muito dos filmes românticos, mas se tem um que me arrepia, desde 1997 até hoje, é Titanic. Eu sei, é cafona, velho, erros de edição, Jack e Rose, Coração do Oceano. Enfim, aquela coisa toda que já cansamos de assistir em VHS de duas fitas, que insistiam em nos fazer levantar do sofá pra trocar uma pela outra, bem no momento em que a Rose ia resgatar o Jack da prisão com o navio quase afundando.

Um clássico.

Mas o que eu gosto mesmo nesse filme é fatídica cena do “você pula, eu pulo”. Quem é que não queria encontrar Leo di Caprio, na sua melhor versão 20 anos, disposto a se jogar de um navio por você? Sim, todos nós.
Mas Titanic é um filme, o Jack morreu e ninguém vai pular no meio do Atlântico quase congelado por você. Sorry!

Só que o você pula, eu pulo é muito mais que isso.

É a entrega. Aquela de verdade, sem receios, histórias mal resolvidas e nóias do passado. É se jogar de cabeça no oceano de possibilidades que é conhecer o outro. É a vontade de nadar pelos lugares mais secretos e íntimos da cabeça, coração e corpo inteiro de um desconhecido, que tem apenas a si mesmo pra dar em troca. É deixar fluir sem pensar muito no depois. É o agora.

Só que quanto mais fundo você nada, mais longe você fica da parte rasa. Aquela “área segura”, sabe? Água até o joelho? De onde você pula fora sem muito esforço.

Pois é. Dá medo né?

Depois de bater a cabeça em tantas pedras por ai, uma hora a gente até acha que não vale mais a pena mergulhar em lugar nenhum.

Mas o que eu tenho a dizer é, se der medo, vai com medo mesmo!

É no desconhecido que mora o frio na barriga, o coração disparado, a sensação de estar perdido e mesmo assim querer ficar. O raso sempre foi muito pouco pra mim.

Me joguei, curti, nadei e mergulhei em cada pedaço do mar aberto que era você. E se me machuquei nas tais das pedras é porque algum outro oceano inteiro por aí está só esperando pra ser descoberto.

Pula comigo?