A gente malha, mas se aborrece

Primeiro texto e já tenho polêmica. Ê Fardin, só causando.

Vamos do início. Para quem ainda não soube, estou na preparação para uma redução de estômago, vulgo cirurgia bariátrica. Estou decidida. Não é o caminho mais fácil e não comecem a criticar porque estou aqui exatamente para tentar mostrar que tudo relacionado a mudança de hábitos e pensamento da sociedade sobre pessoas.

Hoje, segunda semana de academia. Local que já me trouxe uma dor de cabeça imensa antes de chegar aos 120 quilos. O descaso com alunos gordos, alunos que não são tão sociáveis ou ratos de academia e até mesmo aqueles que não estão dentro dos padrões de beleza dos professores é algo absurdo. Não achem que não. Não estou me fazendo de vítima, me acho bonita e , para mim (isto é, o que eu quero para a minha pessoa), até certo ponto tudo certo ser gorda. Enfim, até fui animada, gosto de malhar. Atualmente preciso perder 10 quilos, só assim consigo o aval para a cirurgia. Como não posso ganhar uma grama, seja de massa magra ou de gordura, faço apenas exercícios aeróbicos (esteira e bicicleta — Se você conhece mais algum que possa me ajudar comenta aí!).

Assim que cheguei, vestindo uma camiseta com a estampa do tabuleiro de OUIJA cor de rosa, legging preta e tênis preto e rosa nada de errado. Falei com o professor, que é um amor de pessoa, dá toda a atenção necessária e motivação (falo por mim, realmente é a primeira vez que tenho um acompanhamento decente fazendo apenas exercícios aeróbicos). Ele me passou os exercícios: 30 minutos de esteira com velocidade entre 5 e 6 e inclinação 3 e 30 minutos de bicicleta no programa que alterna intensidades de pesos (QUE MORTE HORRÍVEL).

Cheguei nas esteiras e só tinha uma mais velha para fazer, procurei uma forma de incliná-la, mas não tive sucesso. Melhor fazer reta do que não fazer, certo? Certo.

Comecei. Enquanto escolhia a playlist para acompanhar o exercício percebi olhares. Obviamente olhei para entender o que estava acontecendo. Duas moças, que aparentemente não foram nos mesmos dias e horários que eu fui na última semana, me olhavam. E desviaram o olhar, meio risonho, quando perceberam que eu olhei para elas também. Pensei: ‘Meu deus, peguei uma calça rasgada!’, ‘Caraca o que será que aconteceu?’ Chequei todos os itens necessários: calça, tênis, blusa, seios e até o cabelo. Estava tudo normal. O que será que elas olhavam?

Percebi que elas continuaram olhando e rindo. Fiz a sequência lógica: elas estão rindo de algo em mim? Não. Elas estão rindo comigo? Não. Elas estão rindo entre si e você, Fardin, está muito doida e vendo risada onde não tem? Não. Então, elas estão rindo de mim.

Sério, não faço ideia do que levou aquelas duas moças a rirem. Meu cabelo diferente? Minha roupa velha? Sim, vou de roupa velha para a academia. Será que elas riram do seio? Que é grande demais para o top e sempre sobra um pouquinho nas laterais? Ou do fato de que o top não dá sustentação alguma? A calça estava transparente? A calcinha ‘confortável’ marcando na roupa? Não sei do que elas riram, mas certamente foi uma risada de muito mau gosto. Algo relacionado ao meu peso, ao meu jeito de ser.

Confesso que veio um choro na garganta. Mas sabe? Elas não merecem ver isso. Elas sabem um dos meus maiores pontos fracos, que atualmente é meu peso e meu corpo. Elas merecem é se arrepender um dia disso. Como eu já me arrependi de muita coisa que fiz, pensei e falei. Quero que elas cresçam, que se transformem em mulheres de verdade que saibam que uma pessoa é bonita por diversas outras coisas além de peso e roupas.

Chorei por dentro, mas continuei e vou continuar. E, se você aguentou até aqui, me fala: você quer saber sobre as dificuldades que eu tenho comigo mesma (e acho que outras pessoas também têm), com a academia e com dieta? Comenta aí embaixo! ;)