Acontece.

Em que momento exato você se torna um adulto?

Quando sabemos que é chegado o momento em que deixamos de super-depender para sermos mais suficientes? Meu pai sempre dizia que assim que eu pagasse minhas primeiras contas eu saberia o que era ser adulto. Mas as contas triplicaram assim como as obrigações e responsabilidades e ainda assim me vejo querendo chorar no banheiro do hospital alguns dias. E já fiz.

Alguns falam que assim que ficamos submersos na rotina descobrimos o que é ser adulto. Ou quando o silêncio deixa de ser desagradável e intimidador. Quando sentimos sono em certos ambientes que antes eram tão desajáveis. Ou quando a necessaire aumenta de tamanho com novos comprimidos e pastilhas “do bem”. E ficamos felizes em comprar um pano de prato ou uma espremedora funcional. Mas ainda com tudo isso, tem dias que ligo para a minha mãe chorando igual uma criança desamparada. E peço aquele prato preferido da infância ou um colo amigo dizendo que tudo vai passar. Que é assim mesmo. Que uma hora sossega o peito e para de doer. Já não é como antes quando a diretora ligava e ela vinha correndo para me buscar enquanto puxava minha orelha o caminho todo. E eu achava que ela tinha uma vida fácil de adulto-que-pode-tudo. Mas não era. E eu sinto tanto por isso.

Nas fases de desenvolvimento proposta por Erickson, ele relata que um grande marco para a passagem da vida adulta é o descobrimento da intimidade com o outro, onde ele pode firmar relações duradouras ou se isolar dessas experiências. Então ser adulto seria dar espaço para um outro entrar? Seria permitir o contato, facilitar as passagens, possibilitar o novo?

Mesmo com as diversas concepções e ensinamentos de auto-ajuda, quem decide a hora de ser adulto, de fato, somos nós. Eu conheço pessoas que mesmo trabalhando, estudando e com contas para pagar, ainda mantém o mesmo comportamento típico de um adolescente de 13 anos. Assim como conheço adolescentes que agem como adultos: pelas próprias circunstâncias que a vida impôs ou porque a maturidade chegou mais cedo. Não deixamos de ser adultos porque vez ou outra ligamos desesperados para os nossos pais. E nem porque sentamos com os nossos filhos e assistimos um desenho animado mais felizes que eles próprios. A vida não te avisa que hora você vai crescer. Acontece.

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