we need more

Chega uma hora que você pensa em como “essa hora” pôde chegar. Reflete e se cansa até de pensar em como se cansou de tentar, “fazer por onde”, se doar, insistir um pouquinho mais. É que você não se contenta com raso, não se contenta com uma piscina em que só se pode molhar os pés, talvez até um pouco acima dos joelhos. Mas que não dá pra saltar de verdade. Sentir-se submerso, aprofundar e voltar à superfície pra ter mais fôlego e ir mais profundamente.
 
 Isso não quer dizer que não tenha dado certo. Deu até onde deu. Foi bom até onde deu, só não tinha como continuar sendo. Sei que você as vezes gosta de ser diferente, fazer as coisas do seu modo particular e muitas vezes avessas ao usual dos outros ao seu redor. Mas bem sei que uma coisa que nunca colocou à parte de si mesmo foi a vontade, e talvez carência, por se conectar ao outro. A intensidade é uma palavra chave, não é mesmo?!
 
 Essa coisa de não demostrar interesse, se se manter tão alheio a si próprio, não, isso nunca foi do seu fetiche. Você é de ser, de ser com alma e fôlego de gritar que é, de várias formas. Sem se esconder numa cara falsa, num status de estou sempre bem, isso é só dá minha conta ou fodas pra tudo. Cê é do tipo que se importa e que transborda por não caber no outro. Às vezes até dói. Aquela dor difícil de explicar, mas quem sente, sente. Aquela dor “inferior”, que pouca gente toma tempo pra tentar entender, que poucos enxergam os sintomas, que aparecem nos versos, nas playlists, na ausência e na insistência…
 
 Com o tempo, a vida cresce dentro da sua mente, você se contenta com a ideia de não esperar no outro e ser só você. É que dá preguiça, é cansativo dizer que as coisas deveriam ser de outro jeito, você não quer ser o chato de ficar reclamando sempre que as coisas não tão legais. Talvez existam essas maneiras diferentes que cada um tem de existir e você simplesmente não consegue se adaptar a tantas delas, apesar de tentar. Não é errado você ser assim, como também não é errado que ela ou ele sejam daquele jeito. No entanto, moço, cê tem essa mania de querer fazer parte da realidade alheia à outrem e se larga da sua, no processo, se sufoca.
 
 A vida não se resume ao dito de que desistir é que é perder. A gente tem que deixar pra lá algumas coisas, temos que desistir de vez em quando. Às vezes isso é o que nos permite ganhar novos sorrisos e motivos. Então você desiste de se prender tanto, pra não depender demais do que o outro não é capaz. Exercício do desapego na vontade imensa de se apegar. Não é coisa de indiferença, é só de “deixa pra lá”, mas, claro, nunca antes de tentar.
 
 Tem que ser recíproco, parece até clichê de dizer. “Eu quero e você quer, pronto”, bem que poderia ser simples assim, só que não, meu caro. É complicado. Às vezes um quer demais, enquanto que o outro, apenas quer. Não tem que ser recíproco só na vontade, tem que ser na intensidade também. Dois intensos resultam na intenção de continuar sendo par, de ambas as partes.

Nada disso é prático, você não é, nem um pouco. Você é pele, carne, osso e sentimento. Acho que você é que deixa as coisas complexas demais, e fica parecendo um estranho sem nexo. De qualquer forma, isso é o que você é, não é da conta de ninguém. Apesar de eu saber bem que você tem essa vontade do apego, de querer ser da conta de alguém sim, que te faça bem e que reciprocamente te chame de “meu bem”.

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