no fundo eu tô apavorada. de ontem pra hoje as coisas mudaram tão rapidamente, fiquei assustada. com essa rapidez e com a minha falta de sorte. a possibilidade de ir embora está me assustando porque eu não preciso dessa mudança, não agora. tá tudo indo bem. eu tô me encontrando e finalmente me sentindo em paz, mesmo que essa paz seja entremeada com alguns acessos de loucura e umas vontadezinhas de sumir. eu tô encontrando um amor. e é isso que está me assustando mais.

ela é linda e eu a admiro desde muito tempo. ela é linda e até ontem não tinha cogitado a possibilidade da gente ficar junta. até ontem. logo ontem quando eu já estava me vendo longe de todo mundo. eu não quero ir embora. eu quero ficar e terminar de me encontrar, aqui. com ela. com meus amigos. com essa cidade. comigo. eu não quero ter que começar em outra cidade sozinha, fazendo algo que vai me manter fora da minha órbita quase que o tempo todo. eu preciso pensar em mim agora, e já tava tudo certo.

eu tô assustada também com a possibilidade de isso que ela está sentindo agora ser apenas fogo de palha. eu sei o que eu sinto, eu sempre soube, e agora ela sabe também. ela já leu todos os textos, já ouviu a playlist que eu fiz pra ela, já vasculhou minha intimidade e é um caminho sem volta. ela já me ganhou. e agora pode fazer o que quiser. me guardar ou me jogar fora. e eu tenho medo porque eu não posso culpá-la. eu não posso nem cogitar sentir raiva dela porque ela é, acima de tudo, uma das minhas melhores amigas. e eu não quero perdê-la.

ontem eu experimentei um tipo de felicidade muito assustador. era uma alegria que me fez perder o controle das pernas, das risadas, do corpo inteiro. eu era apenas uma passarinha, como diz o meu amigo, flutuando pelas ruas do benfica em puro estado de êxtase porque eu me senti profundamente querida e adorável naquele dia. foi quase como se eu estivesse permanentemente chapada. eu não conseguia parar de sorrir. sorri para o cobrador, para o motorista, para o pessoal da universidade, pro garçom do bar, pro dono da barraquinha de churrasco, pro outro cobrador… eu era só sorrisos. eu sorri relendo todas as conversas que tive com ela. sorri lembrando da tarde. aposto que sorri enquanto dormia. sorri quando acordei e percebi que nada daquilo era sonho. e eu não paro de sorrir, mesmo escrevendo um texto sobre medo.

eu tô com medo. eu não ir embora. eu quero continuar sorrindo aqui.

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